Ousado o presidente Jair Bolsonaro sabemos que é. No caso dele a ousadia não se traduz no arrojo, mas na imprudência. Acabou de anunciar nesta quarta-feira, 10, que indicará ao Supremo Tribunal Federal um nome de representação “terrivelmente” evangélica. Se pretendeu usar a palavra no sentido de “incrível”, soou incrivelmente assustador.
E a temeridade aí não reside na condição religiosa do pretenso indicado, mas no gesto precipitado ao falar de uma indicação que só poderá ocorrer em novembro de 2020, quando o ministro Celso de Mello se aposenta por idade (75 anos). Ao pregar o carimbo na testa do ainda hipotético ministro Bolsonaro cria desde já resistências. Na sociedade e no colegiado de senadores que deverão aprovar ou desaprovar o nome.
Ao procurar agradar os evangélicos, com essa agora e mais aquela de dar benefícios fiscais às igrejas, os policiais, enfim, seus eleitores de 2018 a fim de assegurar apoios para 2022, Bolsonaro veste alguns santos sem se preocupar no risco que corre, com isso, despir outros os outros tantos que compõem a maioria.






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