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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Dias piores virão

Governo investe na beligerância como arma de campanha em 2022

Por Dora Kramer 16 dez 2021, 09h32

A expectativa geral é a de que a campanha eleitoral será agressiva e torpe como nunca se viu. De todos os lados. O governo, do seu lado, trata desde já de confirmar a previsão quando o presidente Jair Bolsonaro retoma o personagem que havia posto no armário desde o fatídico 7 de setembro e volta a atacar adversários, vacinas e o Supremo Tribunal Federal num tom vários decibéis acima do aceitável.

Nessa toada, contou agora com a colaboração do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, que informa ter de tomar “dois lexotan na veia” para impedir o presidente de adotar “medidas drásticas” em relação do STF. O general acusa o tribunal de “esticar a corda até arrebentar”.

Na mesma ocasião, disse estar preocupado com a possibilidade de Bolsonaro vir a sofrer novo atentado. Quanto a este ponto, se houver razões concretas para a preocupação, o primeiro a ser alertado deveria ser o presidente que, da maneira como se joga no meio de multidões, não parece especialmente atento aos perigos de segurança.

Há nas declarações do general um tanto de artificialismo. Nem ele toma calmantes na veia nem o presidente tem condições de tomar “medidas drásticas” contra o Supremo. Mais fácil ocorrer o contrário. A ideia, portanto, é reavivar o clima de beligerância contra tudo e todos, pois das bandeiras do combate à corrupção e da adoção de uma “nova política” Jair Bolsonaro estará devidamente desprovido em 2022.

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