A entrega do controle da execução do Orçamento da União para a Casa Civil comandada pelo senador Ciro Nogueira, expoente máximo do Centrão, reflete mais que a existência de um presidente fraco sentado no Palácio do Planalto: resulta em absoluto desequilíbrio de poder.
Enquanto Jair Bolsonaro reclama de excessos por parte do Supremo Tribunal Federal que, na visão dele, avança sobre as prerrogativas presidenciais, toma a iniciativa de entregar talvez a mais importante dessas prerrogativas ao controle total de um grupo no Congresso.
Bolsonaro começou o governo equilibrando-se sobre três pilares: Paulo Guedes no comando da economia, os militares no manejo da administração e Sergio Moro no combate à corrupção.
Derretidas essas três colunas de sustentação, o presidente da República chega ao último ano de governo agarrado à única e, do ponto de vista da lealdade, fragilíssima pilastra do Centrão. Um muro de arrimo cujos construtores não hesitarão, a depender das circunstâncias, em deixar o presidente na mão.






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