
Mudanças são fundamentais para a vida saudável – seja ela a vida pessoal ou a da sociedade. Quando uma situação qualquer exige mudança e não fazemos nada, estamos nos acomodando, nos contentando com o conhecido, talvez com o menos pior. Na vida pessoal, quebrar a má rotina pode ser tão simples quanto adotar um hábito saudável, como caminhar ou cortar frituras da dieta. Na vida em sociedade, não aceitar nada menos que o bem-estar da maioria é um exemplo de atitude que leva a mudanças
A esse propósito, me vem à mente uma frase do escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, muito citada, aqui e ali, com variações: “Vocês veem as coisas e perguntam: por quê? Mas eu sonho coisas que nunca existiram e digo: por que não?”
Perguntar “por que não?” nos coloca um passo à frente dos demais. Isso é particularmente relevante numa era em que se anda cada vez mais rápido.
Convivemos com inventos impensáveis há poucas décadas, como a inteligência artificial generativa, que nos permite “conversar” com robôs para obter informação rápida sobre praticamente tudo, ou criar vídeos realistas a um simples comando partindo da nossa imaginação.
A inteligência artificial, aliás, tornou-se alvo de outro tipo de “por que nãos”. Seus riscos têm sido constantemente frisados. Alguns até a comparam à bomba atômica, atualmente na boca de todos por causa do filme “Oppenheimer”, que conta a história de seu inventor. O longa do celebrado diretor Christopher Nolan ilustra bem como também é importante se perguntar “por que não” diante do que se criou.
Mas a inovação não surge somente em laboratórios de projetos secretos. Em nossa vida cotidiana, somos tocados por incontáveis exemplos de descobertas que não teriam acontecido se os indivíduos por trás delas não tivessem ousado desafiar as regras vigentes.
Lembro de produções televisivas, como “Os Jetsons”, nos quais robôs cuidavam da casa, carros passavam voando e as pessoas se comunicavam por vídeo. O cenário era um futuro distante. Mas tudo aquilo está, de algum modo, acontecendo hoje. Videochamadas são a coisa mais corriqueira. Se não temos copeiras de lata, temos assistentes virtuais domésticas, cada vez mais comuns. E os carros ainda não voam – mas existem muitos projetos para isso.
A comida do futuro, felizmente, não foi na linha das ‘pílulas de astronauta”. No entanto, muito tem se investido também no que levamos à mesa, pensando nas mais diferentes restrições alimentares e levando em conta a sustentabilidade.
Nada disso teria vindo à luz sem alguém se perguntar por que essas coisas “impossíveis” não foram feitas. A lista dos que ousaram sonhar o que nunca existiu é infinita. Ela cresce a cada dia, em todas as áreas, e ainda bem. Porque o medo de colocar energia excessiva e não obter o que se espera muitas vezes é paralisante. Ele impede não só os grandes progressos mas até as pequenas mudanças individuais.
Não preciso saber os desafios particulares de cada um de meus leitores para saber que isso se aplica a todos. Não importa se você está à procura de um novo método que lhe permita controlar a dieta ou ganhar mais qualidade de vida, ou estudando um problema da física que possibilite encontrar fontes de energia alternativa. Muitas vezes, a primeira coisa que é preciso mudar é a nossa própria mentalidade.