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Coluna da Lucilia

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Conto de Natal

Que esta época estimule jornadas transformadoras na vida de todos nós.

Por Lucília Diniz
22 dez 2022, 21h00

Era uma vez um homem tão rico quanto sovina e amargurado. Uma das suas rabugices era odiar o Natal. “Essa é a época de ficar um ano mais velho, e nem uma hora mais rico”, dizia. Mas ele muda essa perspectiva ao receber uma visita sobrenatural – a do fantasma de seu antigo sócio, que lamenta ter perdido a vida nos negócios. Em seguida, a alma anuncia a visita de três outros espíritos: os dos Natais passado, presente e futuro. Entidades que tentarão mostrar a ele como suas atitudes egoístas e destituídas de qualquer traço de compaixão atingem os que orbitam ao seu redor. Para quem não está reconhecendo a história, esse é o enredo do célebre “Um Conto de Natal” (“A Christmas Carol”) em que o mais popular escritor inglês da era vitoriana, Charles Dickens, narra a história de Ebenezer Scrooge.

Publicado na Inglaterra em 1843, o livro se tornou um fenômeno em todo o mundo. Atravessou gerações sendo adaptada muitas vezes para o teatro e para o cinema. O conto inspirou até histórias em quadrinhos. Tio Patinhas, um dos mais famosos personagens de Walt Disney, que há décadas cativa leitores de todas as idades com sua ranzinzice às vezes bondosa, foi inspirado no protagonista de Dickens.

De tão revolucionária, a novela popularizou expressões. Uma delas é “Merry Christmas”, (um “alegre Natal”) em vez de “Happy Christmas” (“um feliz Natal”), cumprimento que traz um sentido de êxtase, mais pontual, ao tempo natalício. Tornou populares também certas tradições, como a de comer peru na ceia de Natal – como sinal de arrependimento pelo passado, o renovado protagonista de Dickens manda enviar um enorme exemplar da ave à casa do funcionário que antes destratava.

É curioso que o autor inglês recorra a uma história fantasmagórica para tratar da importância de se resgatar o espírito natalino. Mas de fato são os fantasmas que conduzem Scrooge a jornadas transformadoras, seja pela vida real – atuando como guias para que ele conheça o cotidiano de famílias humildes, exibindo suas dificuldades e pequenos deleites – ou pelo universo interior, fazendo-o enxergar o amor e a compaixão adormecidos dentro dele. Depois disso, o personagem se torna enfim generoso e humano, passa a “honrar o Natal com o coração” e a celebrá-lo durante todo o ano.

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Talvez uma boa maneira de atualizarmos na prática essa fábula quase bicentenária seja buscarmos, por ao menos alguns dias neste fim de ano, deixar de lado a ansiedade, a hiperatividade e o ritmo frenético do mundo contemporâneo e lembrar o que aproxima tantos povos e culturas distintas nesta época do ano. A solidariedade, o congraçamento, a alegria e a simplicidade. A eternidade do clássico de Dickens está na força e na atualidade de sua mensagem, já que a avareza, o egoísmo e a insensibilidade de Scrooge continuam por toda parte. E certamente há por aí quem sinta ódio ou desprezo pelo Natal e pelo próximo. Mas felizmente os espíritos que restauraram os bons sentimentos do protagonista também seguem vivos, prontos para trazerem à tona a fraternidade que há dentro de cada um de nós.

Feliz Natal às leitoras e aos leitores!

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