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Coluna da Lucília Por Lucília Diniz Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Amor em tablete

Na Páscoa, compartilhar chocolate é uma forma de afeto

Por Lucilia Diniz Atualizado em 13 abr 2022, 20h18 - Publicado em 14 abr 2022, 06h00

“Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim?” As crianças sabem a resposta: ovos de chocolate, claro. Elas crescem, se tornam adultas, mas o paladar infantil as acompanha pela vida quando se trata dessa guloseima. Chocolate tem tudo a ver com a infância. Evoca as lembranças afetivas, momentos marcantes de celebração com a família e os amigos. Nosso gosto não muda tanto assim, ele apenas se adapta com o passar do tempo. Alguns, especialmente as crianças, apreciam a versão mais açucarada, de fazer doer a boca, o que acaba colocando os pais diante de um dilema. Afinal, está mais do que provado que o açúcar refinado é prejudicial à saúde. O que fazer? Uma opção é ignorar a tradição e pensar em outro tipo de presente. Que tal um livro? Outra opção é escolher produtos com maior concentração de cacau. Seja como for, o chocolate é tão tentador que, com frequência, é consumido compulsivamente.

Prazer e culpa são como as duas metades dos ovos de Páscoa. Mas não há necessidade de se martirizar. Nesta Páscoa, deguste um ovo recheado como quem canta, com Tim Maia, “eu só quero chocolate”. Porém tenha em mente que comer sem culpa não é o mesmo que comer em excesso. Como traduzir essa noção genérica em termos de número de ovos? Depende da vontade e do autocontrole de cada um. A canção infantil traz uma sugestão: “Um ovo, dois ovos, três ovos assim”. Dependendo do tamanho, não deixa de ser um parâmetro. Outra saída é deixar uma parte para comer mais tarde, resistindo à doce tortura.

“Se não substitui uma sessão de divã nem cura o coração partido, ajuda a superar o momento agudo da desilusão”

Por que gostamos tanto de chocolate? Bem, o nosso cérebro conhece a resposta. É porque contém substâncias como a serotonina, celebrada como “hormônio da felicidade”, e a teobromina, que tem propriedades estimulantes e energizantes. Não é de hoje que se sabe disso. Os maias e astecas foram os primeiros a perceber o fenômeno. Eles acreditavam que aquela bebida espumosa e amarga à base de cacau tinha uma natureza misteriosa e espiritual. Na época dos descobrimentos, o ingrediente chegou à Europa, onde foi reelaborado durante séculos com engenho, imaginação e novas matérias-primas — como açúcar e leite — até resultar no chocolate sólido que conhecemos.

O chocolate também tem incríveis efeitos terapêuticos. Faz as vezes de prêmio de consolação após uma contrariedade qualquer, sobretudo no terreno amoroso. A situação é um clássico do cinema, muito explorada em comédias românticas. É memorável a cena de Legalmente Loira em que a personagem de Reese Witherspoon, depois de ser desprezada pelo namorado, devora uma caixa de bombons. É a lei da compensação em estado puro. Se não substitui uma sessão no divã nem cura o coração partido, ajuda pelo menos a superar o momento mais agudo de uma desilusão.

Outro efeito notável do chocolate é proporcionar um instante de pausa no meio da agitação do dia a dia. Um respiro. Mas só para quem está disposto a se deixar envolver pelas sensações e prazeres que oferece. Falando nisso, o prazer de compartilhar o chocolate pode ser quase tão grande quanto o de consu­mi-lo. Presentear uma pessoa querida com um ovo de Páscoa é uma declaração de amor. Mas a verdadeira prova de amor é lhe oferecer o último quadradinho do último tablete.

Publicado em VEJA de 20 de abril de 2022, edição nº 2785

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