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Claudio Lottenberg

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Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente institucional do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Einstein Hospital Israelita

Inteligência artificial pode aumentar eficiência da rede hospitalar

Sistemas inteligentes podem trazer redução de ociosidade de leitos e de profissionais, gestão simplificada e economia de recursos

Por Claudio Lottenberg 2 jun 2025, 10h49 •
  • Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), recentemente divulgada, apresentou dados preocupantes sobre a eficiência da infraestrutura hospitalar da rede pública brasileira. Além da ociosidade de leitos, de médicos e de enfermeiros, foi identificada significativa disparidade regional, desafios que urge superar tanto para melhorar o atendimento e reduzir filas como para otimizar os gastos com o sistema.

    A análise de 2.309 hospitais públicos no período compreendido entre 2019 e 2024 revelou média geral de eficiência de 32% a 50%, ou seja, uso de, no máximo, metade da capacidade da estrutura disponível. A média ponderada pelo volume de produção, que expressa resultados mais precisos, apresentou variação de 53% a 68%, sendo os melhores índices aqueles verificados nos hospitais maiores, com mais de 300 leitos, que alcançam economia de escala. Mesmo nessas unidades, porém, há espaço para efetuar melhorias.

    A inteligência artificial certamente é um poderoso aliado da eficiência. Algoritmos podem analisar padrões históricos de atendimento, sazonalidade e dados em tempo real para prever períodos de maior ou menor demanda, o que permite aos hospitais ajustar a escala de médicos e enfermeiros conforme necessário, evitando excesso ou falta de profissionais. Ao mesmo tempo, os sistemas inteligentes podem rastrear a ocupação de leitos e prever altas hospitalares, reduzindo tempos de espera e garantindo a utilização eficiente dos recursos. Em alguns hospitais, a IA já é utilizada para administrar a transferência de pacientes entre diferentes unidades, acelerando fluxos de atendimento.

    Além disso, as ferramentas de IA estão aptas a gerenciar marcação de consultas e eventuais cancelamentos, bem como a analisar padrões de internações e a prever picos de atendimento, permitindo melhor planejamento dos recursos. Chatbots podem ajudar na triagem de pacientes, identificando casos prioritários e direcionando-os para o atendimento adequado. Isso sem falar na telemedicina e no suporte remoto, que evitam deslocamentos desnecessários e reduzem a sobrecarga em hospitais e clínicas. Tudo isso melhora o fluxo dentro das unidades de saúde. São inúmeras as possibilidades de uso da IA para economizar recursos e melhorar o atendimento, aumentando a eficiência da rede hospitalar.

    O levantamento do TCU também mostrou que, nos hospitais com gestão compartilhada entre estado e município, a eficiência é menor, o que pode ser explicado pela burocracia. Entre as unidades geridas por Organizações Sociais, constatou-se maior eficiência, mas, segundo o próprio estudo, a correlação não implica causalidade, uma vez que os hospitais administrados por essas entidades são, em geral, de maior porte (média de 150 leitos), o que, em si, já está relacionado ao ganho de eficiência.

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    Mais uma vez, os sistemas de gestão inteligente podem ser parte da solução, melhorando a coordenação entre as esferas estadual e municipal e minimizando conflitos administrativos, ou seja, deixando claras as responsabilidades de cada nível de gestão. Reduzir a burocracia é sempre uma medida salutar, portanto modelos de gestão compartilhada podem e devem ser revisados e adaptados às boas práticas de governança hospitalar.

    As diferenças regionais, em especial entre o Norte e o Nordeste de um lado e o Sudeste de outro, bastante significativas, foram outro ponto destacado no relatório da auditoria do TCU. Esse problema pode ser enfrentado com o investimento na regionalização da rede hospitalar. É importante garantir que hospitais menores tenham suporte adequado para melhorar sua eficiência operacional.

    Segundo o relatório, há ampla margem para aperfeiçoar o uso da infraestrutura existente. Muitas unidades poderiam aumentar o número de atendimentos, de internações e de realização de exames sem aumento proporcional de gastos. O TCU recomenda a adoção de medidas de gestão, como o compartilhamento de boas práticas entre hospitais e a revisão da governança nos modelos de gestão compartilhada a fim de obter aumento da produtividade da rede hospitalar com os recursos já disponíveis.

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    A chave para a solução de muitos desses problemas parece estar na adoção de sistemas de inteligência artificial, que são capazes tanto de monitorar equipamentos médicos, prevenindo falhas e reduzindo custos de manutenção, como de agilizar tarefas burocráticas (agendamentos, gestão de estoques e faturamento). Além disso, já se mostraram muito eficientes na análise de exames e no aumento da acuidade dos diagnósticos, entre outros inegáveis avanços. Também podem comparar hospitais em tempo real e sugerir práticas mais eficientes para aqueles cujo desempenho seja inferior.

    De resto, é preciso criar programas de capacitação para equipes médicas e administrativas, assegurando atualização constante. É possível oferecer incentivos à eficiência, premiando hospitais que melhoram seus indicadores e reduzem custos sem comprometer a qualidade. Essas medidas, combinadas, podem aumentar a eficiência hospitalar, reduzir custos e melhorar a qualidade do atendimento no SUS.

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