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Cidade Cidadã

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Os desafios urbanos contemporâneos, e seus impactos para a população, na análise do Centro de Estudos das Cidades — Laboratório Arq.Futuro do Insper

Estatísticas podem salvar vidas (se bem-usadas)

Análise mostra como a integração de dados pode revolucionar a prevenção de acidentes de trânsito e salvar vidas nas cidades

Por Mauricio Bouskela* 14 ago 2026, 17h38
Estatísticas podem salvar vidas (se bem-usadas) Priorizar nos meus resultados Google

O uso de dados no planejamento urbano carrega consigo um aspecto que nem sempre se destaca: ele impede que o evitável pareça inevitável. Dito de outra forma: impede que se naturalize aquilo que não é natural. A distinção entre uma coisa e outra pode significar a diferença entre a vida e a morte. Nenhuma cidade pode ser considerada inteligente se sua visão despreza a ciência contida nos dados. Um exemplo alarmante disso está no número de mortes no trânsito. Morrer conduzindo um veículo pelas ruas nada tem de natural, tampouco inevitável. Ainda assim, as estatísticas são dolorosas.

Fiquemos apenas em São Paulo — e no caso dos motociclistas. No ano passado, 475 deles morreram nas ruas da capital paulista. Segundo dados do Sistema Infosiga

(Detran-SP), esse total representa mais de nove vidas perdidas por semana. Para cada morte, dezenas de pessoas sobrevivem com sequelas físicas e psicológicas que mudam suas respectivas rotinas para sempre. Famílias são desestruturadas, aumenta a pressão sobre o sistema de saúde pública e multiplicam-se os impactos sociais e econômicos dessa tragédia silenciosa.

Sinistros envolvendo motociclistas estão, há muito, entre as minhas maiores preocupações no que diz respeito aos desafios urbanos – pessoalmente, como cidadão, e também em termos profissionais, sobretudo em sala de aula. Em um recente workshop sobre o tema com estudantes e professores das áreas de engenharia, arquitetura e negócios, comecei pelo problema e não pela tecnologia. As discussões rapidamente evoluíram para perguntas de como isso deve ser estruturado: 

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  • Quem deve liderar uma iniciativa para reduzir esses sinistros?
  • Estamos utilizando todo o potencial dos dados já existentes para

compreender por que eles ocorrem?

  • Como integrar governo, empresas, universidades e a sociedade como umtodo em torno de um objetivo comum, qual seja, alcançar o patamar demorte zero no trânsito?
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  • O que podemos aprender ao analisar o comportamento dos condutores semanas ou meses antes de um sinistro fatal?
  • Como a Inteligência Artificial pode transformar dados dispersos em conhecimento capaz de salvar vidas?

O trabalho com dados de telemetria de motocicletas e de aplicativos revela, na prática, o enorme potencial de sua utilização integrada para a compreensão de padrões de comportamento, a identificação de fatores de risco e o apoio a ações preventivas antes que novos sinistros aconteçam. Nunca produzimos tantos dados sobre mobilidade. Porém, os sinistros envolvendo motociclistas continuam impondo um enorme custo às cidades

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brasileiras. A conclusão óbvia é de que não estamos aproveitando os dados fortalecer a prevenção. 

Eles existem. Estão distribuídos entre órgãos públicos, empresas de mobilidade, plataformas de delivery, seguradoras,universidades e outras instituições. Isoladamente, cada base revela apenas parte da realidade. Quando analisadas em conjunto, essas informações podem ampliar significativamente nossa compreensão sobre o que antecede

os sinistros e apoiar decisões baseadas em evidências. Uma cidade inteligente não é aquela que se preocupa apenas em usar os dados para explicar a última morte no trânsito e sim a que se empenha no seu emprego para evitar a próxima.

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* Mauricio Bouskela coordena, ao lado de Adriano Borges Costa, o Núcleode Economia Urbana, Cidades Inteligentes e Big Data do Centro deEstudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper

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