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Caçador de Mitos

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Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia
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O motor da violência islâmica

Mais que alguma característica específica da religião, é a narrativa de humilhação que fomenta atentados como o de Nice desta quinta-feira

Por Leandro Narloch
Atualizado em 4 jun 2024, 22h30 - Publicado em 15 jul 2016, 02h48

Existe uma forma eficiente de transformar cidadãos pacatos em máquinas de morte. Basta disseminar entre eles uma narrativa de humilhação. Se as pessoas forem convencidas de que sofrem no presente porque foram desrespeitadas, agredidas e humilhadas no passado, sacrificarão seus próprios recursos em nome da vingança e da restauração da dignidade. A suposta humilhação que sofreram justificará qualquer tipo de violência.

Homens embriagados por uma narrativa de humilhação praticaram boa parte dos genocídios do último século. Hitler é exemplo preciso; ele posava aos alemães como um guardião da virtude, um patriota que se vingaria dos traidores judeus, livraria a Alemanha das “fraquezas da democracia” e levaria os povos germânicos de volta aos tempos áureos.

Hutus de Ruanda passaram três meses de 1994 matando a facadas quase 1 milhão de tutsis (entre as vítimas, vizinhos e amigos). A causa da violência não foi alguma característica étnica ou religiosa, mas uma narrativa. Políticos e intelectuais ruandeses disseminaram a ideia de que os hutus foram injustiçados e prejudicados pelos tutsis, uma etnia mais rica, mais educada e que havia sido privilegiada pelos colonizadores belgas.

Certamente o Islã não é das religiões mais pacíficas. Maomé, a referência moral dos muçulmanos, era um líder militar que defendia e comemorava a morte de infiéis. Mas não me parece que a religião, por si só, é capaz de explicar monstruosidades como o atentado em Nice nesta quinta-feira. O que explica é o discurso de humilhação.

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Os cientistas políticos Khaled Fattah e K.M. Fierke descreveram como esse discurso opera no mundo árabe. Os líderes terroristas montaram uma narrativa que une as cruzadas da Idade Média, a divisão do mundo árabe pelos europeus, a ocupação de Israel pelos judeus e a invasão americana ao Iraque e ao Afeganistão. Todos esses episódios seriam a causa do sofrimento atual dos muçulmanos e atualmente justificam o terrorismo. “Essa visão histórica leva à crença de que a restauração da dignidade pode ser conquistada pela violência, e de fato essa é a lógica disseminada pela Al Qaeda”, dizem os autores.

A política da humilhação fica evidente sempre que um líder terrorista fala. Como nesse discurso de Osama bin Laden logo de depois do 11 de Setembro:

O que os Estados Unidos provam agora é insignificante comparado ao que provamos por tantos anos. Nossa nação (o mundo islâmico) tem provado a humilhação e a degradação por mais de 80 anos. Seus filhos foram mortos, seu sangue é derramado, seus santuários são atacados, e ninguém vê e ninguém liga.

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Árabes e muçulmanos se sentem humilhados, sem esperança e incapazes de corrigir o desequilíbrio da política externa dos Estados Unidos, e se sentem humilhados, sem esperança e incapazes de parar a violência contra os palestinos.

O mais curioso disso tudo é que tanto o atentado de Nice quanto diversos horrores do século 20 foram praticados por gente que sentia prejudicada e acreditava reparar uma injustiça. Por isso vale a pena ficar alerta aos justiceiros sociais que aparecem por aí.

@lnarloch

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