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Caçador de Mitos

Por Leandro Narloch Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia

Bolsonaro estava certo?

Não.

Por Leandro Narloch 18 nov 2015, 10h26 • Atualizado em 31 jul 2020, 00h05
  • Depois dos atentados em Paris, um artigo desta coluna recebeu 200 comentários – a maioria pedindo que eu me retratasse ou admitisse o erro por ter criticado o deputado Jair Bolsonaro. Em setembro, numa entrevista para o jornal Opção, Bolsonaro chamou de escória os imigrantes haitianos, bolivianos e sírios que estão vindo trabalhar no Brasil. Logo depois gravou um vídeo com uma opinião mais moderada e sensata: considera escória apenas as “pessoas de péssima índole que se misturam a pessoas de bem”, ou seja, os terroristas infiltrados entre os imigrantes.

    A tragédia na França levou muita gente a afirmar que “Bolsonaro avisou” ou que “Bolsonaro estava certo”. Não é verdade. As sugestões do deputado não evitariam ataques terroristas como o de Paris.

    No vídeo de setembro, Bolsonaro afirma que não é contra a imigração de sírios – pede apenas que a entrada no Brasil não seja autorizada “sem um rígido controle de sua vida pregressa”. Até aí, nada demais difícil achar alguém (fora o maluco do Ministério da Justiça que defendeu jihadistas) interessado em abrigar homens-bomba.

    A questão é que a maioria dos terroristas que cometeram atentados na França em janeiro e na semana passada não eram imigrantes ilegais nem mesmo estrangeiros. Eram cidadãos franceses ou belgas. Vinham de famílias de imigrantes muçulmanos provavelmente “pessoas de bem” que Bolsonaro deixaria entrar no Brasil.

    É ingênuo acreditar que a fiscalização estatal vai deter terroristas. No Onze de Setembro, autores dos atentados (entre eles um estudante de arquitetura na Alemanha) esconderam viagens ao Afeganistão simplesmente extraviando o passaporte e emitindo um documento novo. Enganar burocratas, fazendo-se passar por uma pessoa de bem, é a tarefa mais simples de um terrorista.

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    Mas numa coisa eu concordo com o deputado: num caso de imigração em massa para o Brasil, a pior postura que podemos adotar é o relativismo cultural. A França foi particularmente prejudicada ao ser leniente e tolerante com imigrantes e filhos de imigrantes que não respeitavam as noções francesas de direitos humanos.

    Mas concordar com a livre imigração não significa aderir ao relativismo politicamente correto. O rigor com o cumprimento da lei seguirá necessário em caso de imigração em massa ao Brasil. Talvez não seja algo muito difícil de se obter. Nos Estados Unidos, como informa a Economist, “de 745 mil refugiados assentados desde o 11 de Setembro, apenas dois iraquianos foram presos sob acusação de terrorismo, por ajudar a Al-Qaeda no Iraque”.

    @lnarloch

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