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Augusto Nunes

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Uma bela de uma farsa

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está preso desde 29 de fevereiro, acusado de liderar uma  quadrilha que explorava o jogo do bicho e máquinas de caça-níquel no estado de Goiás. Seus advogados já ingressaram na  Justiça com nada menos que doze pedidos para libertá-lo. Todos foram negados pelos tribunais. A última tentativa de tirá-lo  da […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 08h13 - Publicado em 4 ago 2012, 20h48

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está preso desde 29 de fevereiro, acusado de liderar uma  quadrilha que explorava o jogo do bicho e máquinas de caça-níquel no estado de Goiás. Seus advogados já ingressaram na  Justiça com nada menos que doze pedidos para libertá-lo. Todos foram negados pelos tribunais. A última tentativa de tirá-lo  da cadeia foi uma manobra desesperada da mulher, Andressa Mendonça. Segundo o juiz Alderico Rocha Santos, responsável pelo caso, Andressa procurou-o em seu gabinete em 26 de julho. Foi atendida na presença de testemunhas até que, a certa  altura, sob o pretexto de tratar-se de “assuntos íntimos”, pediu uma conversa a sós com o juiz. A sala foi esvaziada. O juiz diz  que naquele momento Andressa tentou intimidá-lo, falando da existência de um dossiê que comprometeria sua reputação. Em  troca da liberdade do marido, ela impediria que o dossiê viesse a público. Pela ameaça ao juiz, Andressa foi detida e levada à Polícia Federal em Goiânia. Ela nada disse aos policiais. Pagou 100 000 reais de fiança e foi libertada.

A atitude desesperada e ilegal de Andressa foi decisiva para que o advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça,  abandonasse a defesa de Cachoeira. “A relação entre cliente e advogado já não estava boa. O episódio da chantagem foi a  gotad’água”, disse Bastos. O juiz Alderico Rocha poderia ter prendido a mulher do contraventor em flagrante, mas não o fez  por ter ficado em dúvida “se a conduta caracterizava crime ou não, tendo em vista que não houve oferta de pagamento”. O  pedido de prisão partiu de outro juiz federal, a quem Rocha narrou o episódio. Segundo Rocha, Andressa disse que o dossiê comprometedor seria publicado por VEJA. Trata-se de óbvia e claudicante calúnia. VEJA não faz e não publica dossiês. O  departamento jurídico da Editora Abril, que edita VEJA, busca esclarecimentos sobre a farsa com vistas a processar seus  responsáveis. É a segunda vez nos últimos meses que a revista é vítima de ataques desse tipo. Obscuros parlamentares ligados  aos réus do mensalão (veja matéria na pág. 74 da edição desta semana) tentaram criminalizar o trabalho de um jornalista da  revista que teve Carlos Cachoeira como fonte de informação. Os policiais federais e os procuradores que investigaram  Cachoeira, porém, foram unânimes em descrever as conversas do jornalista com o contraventor como contatos legítimos  entre “jornalista e fonte”.

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