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Augusto Nunes

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Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Reynaldo-BH: É preciso acabar com a barbárie e devolver o Brasil ao século 21

REYNALDO ROCHA A capa de VEJA desta semana nos mostra a volta da escravidão: um ser humano acorrentado pelo pescoço. É um menino. Criminoso, sim. E não me aventuro a esposar teses de sociologia de botequim segundo as quais pobreza gera violência ou banditismo. É coisa antiga, mais velha que a Catedral da Sé em […]

Por Augusto Nunes 8 fev 2014, 17h33 | Atualizado em 31 jul 2020, 04h29

REYNALDO ROCHA

A capa de VEJA desta semana nos mostra a volta da escravidão: um ser humano acorrentado pelo pescoço. É um menino. Criminoso, sim. E não me aventuro a esposar teses de sociologia de botequim segundo as quais pobreza gera violência ou banditismo. É coisa antiga, mais velha que a Catedral da Sé em Portugal, e inteiramente desmoralizada até pela estatística. Por outro lado – que me desculpem os partidários “desses “justiçamentos” –, é a expressão da barbárie. A volta da senzala. O pelourinho modernizado com trava de bicicleta. O feitor de chicote nas mãos, pronto a castigar em nome próprio.

Não falo sequer do estado de direito. Falo – e me assusto com isso – do que leva uma sociedade a tal nível de degradação. Quais valores  levam à abjeção nojenta que se vê na substituição de valores humanos por valores ditatoriais. Quanto o Brasil caminhou para trás? Quem é cristão deve tentar buscar uma explicação. Quem não é deve tentar entender o que leva uma sociedade a recuar alguns séculos.

Qual foi o atalho em que nos perdemos? Qual caldo de cultura foi substituído por um caldeirão de bruxarias? Qual futuro nos traz o passado de modo tão presente?

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O que determina a impunidade e desfaçatez como regra de convívio social. A falta de limites, onde cada um determina o que fazer e como agir. Onde o estado de direito é assunto de estudiosos ou, quem sabe, de insistentes conservadores (que querem conservar a dignidade!) acusados de formarem a vanguarda do atraso.

A falta de crença na punibilidade necessária a quem transgrida a regra social comum leva ao vale tudo e à abolição de parâmetros.

A mentira, o disfarce, a defesa do que é crime como se fosse um valor, a política do totalitarismo companheiro que transforma os membros de um grupo social em heróis mesmo quando são bandidos, tudo isso está na origem de tamanha distorção.

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Os “justiceiros” que restauraram a escravatura para prender um jovem num poste não diferem em nada de um vice-presidente da Câmara que elogia bandidos e tenta ofender o presidente do Poder Judiciário.

Esta é a verdadeira herança maldita, nascida da subversão (e inversão) de valores e de civilidade. Do uso e abuso de mentiras e falsificações. Do pensamento único que perdoa sabujos e persegue dissidentes.

O Brasil está no século XIX.  Nossa missão é fazê-lo retornar ao século XXI.

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