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Marcos Troyjo: A ‘Trumponomics’ e o Brasil

Erram os que só veem efeitos positivos para a economia brasileira

Por Augusto Nunes Atualizado em 4 fev 2017, 23h43 - Publicado em 4 fev 2017, 23h43

É certo que o Brasil não deve ser um dos países mais afetados pelas políticas protecionistas de Donald Trump à frente da Casa Branca. O país pode, contudo, ter seus projetos de investimento em infraestrutura solapados por planos semelhantes que o inquilino da Casa Branca supostamente tem à mão para incentivar empregos e negócios nos EUA.

No curto prazo, tais planos orientados a aquecer a economia interna dos EUA podem até ser positivos para exportadores brasileiros de commodities minerais, como minério de ferro.

Se a Trumponomics, no entanto, tornar-se uma bomba de sucção de atenção e recursos no âmbito de projetos infraestruturais, parte dos capitais que o Brasil espera receber de investidores estrangeiros para destravar seus próprios gargalos em infraestrutura pode ficar comprometida. Programas de concessão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos que o governo brasileiro tem planejados para 2017 e 2018 seriam afetados em sua agilidade e volume.

A situação econômica brasileira, embora evoluindo positivamente, continua frágil. A capacidade de investimento do setor público permanece muito baixa. Não teremos condições de fazer um upgrade de infraestrutura com capitais próprios. Se os EUA de fato adotarem um amplo processo de renovação de sua infraestrutura, é natural que capitais destinados a esta atividade se sintam atraídos para os EUA e portanto estejam menos propensos migrarem para países como o Brasil.

Já no que toca ao campo do comércio exterior, as “baterias” da Casa Branca estão voltadas sobretudo contra México e China, ambos com farto superávit em seu comércio com os EUA. Nesse contexto, sobra pouco espaço para outros “candidatos a vítima” de Trump.

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Isso não é necessariamente uma grande notícia para o Brasil. A razão pela qual o país escapa da política de fechamento norte-americano reside no fato de que o comércio exterior como fatia do PIB brasileiro é bastante baixo – oscilando historicamente em apenas 20% do produto brasileiro. Além disso, o Brasil é um dos poucos países a acumular sucessivos déficits comerciais com os norte-americanos.

A não-adesão de Washington ao TPP (Parceria Transpacífico) pode até fazer com que o Brasil ganhe algum mercado (ou deixe de perder), já que os EUA não terão mais produtos do agronegócio com vantagens tarifárias para os países que fariam parte do acordo. Há uma série de setores agrícolas, e mesmo em proteína mundial, nos quais EUA e Brasil são competidores e o Brasil potencialmente lucra com a menor atratividade de produtos americanos.

Ainda assim tudo isso vai depender dos resultados que a Casa Branca de Trump obtiver com a estratégia de substituir a metodologia plurilateral por acordos bilaterais junto a mercados da Ásia-Pacífico. Para o Brasil, serão também necessários novos esforços de promoção comercial, mesmo a países da Ásia que não faziam parte do desenho original do TPP, como é o caso da Índia e da Indonésia.

Se, por um lado, o Brasil pode levar alguma vantagem no comércio de commodities com eventual contração do perfil exportador americano, o mesmo não se pode dizer dos produtos manufaturados. Aqui, mais importante do que uma retração das exportações americanas é o que o Brasil conseguirá estruturar em três frentes: a cambial, a tributária e a negocial.

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O país tem de manter o câmbio competitivo para fins do aumento do volume exportado de bens manufaturados. Ao Brasil também cabe simplificar – e, se possível, diminuir – a carga tributária que incide sobre a empresa exportadora. E, claro, o Brasil não deve se iludir quanto à duração desta fase de “desglobalização”. É fundamental perseverar na negociação de acordos comerciais – algo a que o Brasil não se lançou nos últimos 13 anos.

Ademais, mesmo com a renegociação ou “implosão” do Nafta, produtos mexicanos continuarão a representar um elemento de concorrência para o Brasil em terceiros mercados. Há ampla gama de bens industriais em que os mexicanos são mais competitivos que o Brasil.

Isso, sem dúvida, tem que ver com acesso a mercados e as dezenas de acordos preferenciais que o México concluiu mesmo depois de ter negociado o Nafta. Mas outros fatores, como menor carga tributária, legislação trabalhista menos restritiva, enfim, um melhor ambiente de negócios, também pesam muito em benefício do México.

No limite, ainda que a Trumponomics possa gerar um ou outro efeito colateral positivo para o Brasil, no médio prazo todo mundo perderá com um cenário comercial assolado pelo protecionismo.

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