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É difícil decifrar a esfinge mexicana

Ao contrário de bandeiras progressistas, o presidente eleito do México não dá endosso automático a aborto ou casamento homossexual

Por Marcos Troyjo
7 jul 2018, 22h48 • Atualizado em 30 jul 2020, 20h24
  • Marcos Troyjo

    Os analistas internacionais ainda estão tentando decifrar a “esfinge AMLO” ─ iniciais de Andrés Manuel López Obrador, agora presidente eleito do México.

    AMLO recebeu cumprimentos efusivos pela vitória, seja do americano Donald Trump ou do venezuelano Nicolás Maduro, o que acrescenta dificuldade na tarefa de interpretá-lo.

    Classificado como esquerdista, suas primeiras palavras após o triunfo eleitoral são de austeridade orçamentária e combate à corrupção. Ao contrário de bandeiras progressistas, AMLO não dá endosso automático a aborto ou casamento homossexual.

    Em sua base de apoio político estão, por um lado, intelectuais de botequim e sindicalistas, e, por outro, evangélicos e conservadores de costumes.

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    AMLO é favorável à permanência do México no Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte). E, em sua campanha, não demonizou Donald Trump. Aliás, ao contrário do mantra das esquerdas latino-americanas, não identificou nos interesses estrangeiros, no imperialismo ou na elite financeira global a raiz dos males de seu país.

    O presidente eleito já anunciou o nome de seu ministro da Fazenda, Carlos Urzúa, que defende posições — pouco consensuais entre economistas heterodoxos — como disciplina fiscal e autonomia do Banco Central. Seu chefe de gabinete, Alfonso Romo, é um empresário multimilionário.

    Tais anúncios ajudaram o desempenho dos ativos mexicanos. Na terça (3), o peso se valorizou, a bolsa subiu forte. Não se observa, contudo, nível de euforia semelhante ao experimentado pelo antecessor de AMLO na presidência mexicana seis anos atrás.

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    Quando, em dezembro de 2012, Enrique Peña Nieto, assumia os rumos do México, o futuro descortinava-se brilhante. Munido de uma agenda reformista, o novo presidente faria potencialidades internas sintonizar-se com oportunidades externas. O México parecia no bom caminho para transformar-se num país moderno.

    Naquele ano, a Nomura Equity Research projetava: “na próxima década o México se converterá na principal economia da América Latina e um dos mercados emergentes mais dinâmicos”.

    Tal sentimento era geral. Ruchir Sharma, chefe de mercados emergentes do Morgan Stanley, mostrava em “Breakout Nations” que o México detinha amplas vantagens competitivas quando comparado ao Brasil.

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    Desde a entrada em vigor do Nafta, o México já concluíra 12 acordos de livre comércio com 44 países. Pouco antes da posse de Peña Nieto, a bolsa de valores mexicana já voltava a se aproximar do recorde histórico atingido antes da Grande Recessão global de 2008.

    Jim O’Neill, criador do acrônimo “Brics”, também se entusiasmava com o México. Em seu livro O Mapa do Crescimento, sustentava que o México estava “escalando o ranking dos mercados em crescimento”.

    As boas notícias pareciam ir confirmando uma tendência amplamente positiva. A presença corporativa do México nos EUA nos últimos anos revertia a ideia de que a relação econômica entre os dois países se resumia a “maquiladoras” ao sul da fronteira — indústrias de baixo valor agregado cujo destino produtivo é o mercado dos EUA.

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    Empresas e marcas como a operadora móvel virtual Tracfone, a indústria panificadora Bimbo, a multimídia Televisa, a cimenteira Cemex e a cerveja Corona, atestam, de fato, tal ascensão.

    Em referência a territórios perdidos pelo México na guerra travada com o vizinho do norte no século 19, a pujança corporativa mexicana nos EUA foi em momento recente chamada de A Reconquista.

    Com proeminência no próprio mercado mexicano, e recursos via mercado acionário, empresas mexicanas realizaram muitas aquisições de ativos industriais nos EUA e na Europa.

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    A expansão das multinacionais brasileiras no exterior, comparada à mexicana, foi bastante modesta. E, claro, a ascensão mexicana que entusiasmava analistas há poucos anos era também fortalecida pela própria metamorfose da economia chinesa.

    Quando o México se associou ao Nafta no início dos anos 1990, o país adotava regime cambial de grande valorização relativa do peso — algo pouco conducente a exportações, mas que oferecia a impressão de prosperidade pelo PIB mensurado em dólares correntes. É coincidente a admissão do México como membro da OCDE em 1994.

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