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A Rose de Renan e a Mônica de Lula

Mônica Veloso virou celebridade nacional em 2007, quando o Brasil ficou sabendo que as contas da jornalista que tivera uma filha com Renan Calheiros eram bancadas por uma empreiteira. Reeleito presidente do Senado no início daquele ano, o parlamentar alagoano acabou renunciando ao cargo para escapar da cassação. Mônica virou capa da revista Playboy, escreveu […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 06h56 - Publicado em 4 fev 2013, 15h52

MÔNICA VELOSO ESTEVE PARA RENAN COMO ROSE ESTÁ PARA LULA

Mônica Veloso virou celebridade nacional em 2007, quando o Brasil ficou sabendo que as contas da jornalista que tivera uma filha com Renan Calheiros eram bancadas por uma empreiteira. Reeleito presidente do Senado no início daquele ano, o parlamentar alagoano acabou renunciando ao cargo para escapar da cassação. Mônica virou capa da revista Playboy, escreveu um livro sobre a história, apresentou um programa de TV, casou-se de novo e submergiu num confortável semianonimato. Com a volta de Renan ao comando da Casa do Espanto, a imprensa ressuscitou o escândalo ─ e reapresentou ao país a bela protagonista do romance com final infeliz.

Em 2007, Mônica Veloso não foi chamada de “amiga” do presidente do Senado. Era amante mesmo. Nem ressurgiu agora como “ex-amiga”, mas como ex-amante. “Renan Calheiros foi uma vítima do falso moralismo da mídia”, errou de novo José Dirceu num artigo publicado em seu blog. O senador foi vítima da verdade. Falso moralismo é a expressão que se aplica ao tratamento dispensado pela imprensa à dupla formada por Lula e Rosemary Noronha.

Como meio mundo sabe, Mônica esteve para Renan como Rose está (ou esteve, na mais gentil das hipóteses) para o ex-presidente. Abstraídas as formidáveis diferenças de ordem estética, o que distingue uma da outra é a origem do patrocínio. Mônica foi financiada por uma empreiteira. Rose ganhou um empregão federal e dele se valeu para prosperar como quadrilheira.

Como Lula agora, Renan fez o possível para não abrir a boca sobre o caso. Acabou falando  ─ e não convenceu ninguém. O ex-presidente acredita que conseguirá escapar pela trilha do silêncio. É bom que encontre álibis menos toscos que os apresentados pelo senador. Porque um dia terá de falar.

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