Seca pode ter causado o fim dos ‘hobbits’ pré-históricos, diz estudo
Análise de formações em cavernas e dentes fossilizados de elefantes anões revela forte estresse ambiental há cerca de 60 mil anos
Uma seca prolongada e intensa pode ter sido um fator decisivo para o desaparecimento do Homo floresiensis, espécie humana antiga conhecida popularmente como os “hobbits” da Indonésia. O apelido faz referência à baixa estatura desses hominíneos, comparada à dos personagens da obra O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.
O estudo, conduzido por um grupo internacional de pesquisadores, foi publicado na revista científica Communications Earth & Environment e aponta que mudanças climáticas severas coincidiram com o período em que a espécie deixou a caverna Liang Bua, na ilha de Flores, onde havia vivido por cerca de 140 mil anos.
Para reconstruir as condições ambientais do passado, os cientistas analisaram sinais químicos preservados em estalagmites, as formações minerais que crescem no interior de cavernas e funcionam como registros naturais do clima ao longo do tempo. Esses dados foram combinados com análises isotópicas de dentes fossilizados de elefantes anões (Stegodon florensis insularis), uma das principais presas dos “hobbits”.
Os resultados indicam um processo de ressecamento gradual que começou há cerca de 76 mil anos e se intensificou em uma seca severa entre aproximadamente 61 mil e 55 mil anos atrás. Esse período coincide com o desaparecimento do Homo floresiensis.
Com a redução das chuvas, os rios passaram a secar sazonalmente, afetando tanto a disponibilidade de água quanto a cadeia alimentar local.
Humanos modernos podem ter encontrado os “hobbits”?
Os fósseis indicam que o Homo floresiensis viveu na ilha antes da presença confirmada de humanos modernos na região. No entanto, o avanço do Homo sapiens pelo arquipélago indonésio ocorreu aproximadamente no mesmo período em que a espécie desapareceu.
Os autores do estudo consideram possível que, ao se deslocarem em busca de recursos durante a seca, esses hominíneos tenham entrado em contato com humanos modernos. Ainda assim, a pesquisa destaca que o estresse climático prolongado já havia transformado profundamente o ecossistema que sustentava a espécie.






