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O que acontece no corpo humano quando ele é atingido por um raio

Descarga pode provocar parada cardíaca, lesões neurológicas e queimaduras internas profundas; caso recente em Brasília reacende alerta sobre os riscos

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 12h00 •
  • No último domingo (25), manifestantes ficaram feridos em um protesto em Brasília após serem atingidos por um raio enquanto aguardavam a chegada de uma passeata. O episódio chamou atenção para um fenômeno raro, mas extremamente perigoso: o que, de fato, acontece no corpo humano quando ele é atingido por uma descarga elétrica atmosférica.

    Embora um raio dure frações de segundo — entre 0,01 e 0,1 segundo — ele carrega uma voltagem superior a 10 milhões de volts e pode atingir temperaturas próximas de 30 mil graus Kelvin, cerca de cinco vezes mais quente que a superfície do Sol.

    Essa combinação de energia extrema e calor faz com que os danos no organismo não se limitem a queimaduras externas. O impacto costuma ser muito mais profundo.

    Como o raio afeta o corpo por dentro?

    Quando a descarga elétrica atravessa o corpo humano, ela pode interromper imediatamente o funcionamento do coração e do sistema respiratório. A parada cardiorrespiratória é a principal causa de morte em vítimas de raios.

    Além disso, o choque elétrico pode provocar:

    • lesões graves no cérebro e no sistema nervoso;

    • hemorragias cerebrais e acidentes vasculares;

    • queimaduras internas profundas, especialmente em regiões próximas aos ossos, que oferecem maior resistência à passagem da corrente elétrica;

    • ruptura de tímpanos devido à onda de choque sonora;

    • danos musculares extensos que podem levar à rabdomiólise, condição em que o tecido muscular se degrada e libera toxinas na corrente sanguínea, com risco de insuficiência renal.

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    Mesmo pessoas que não são atingidas diretamente podem sofrer lesões. A eletricidade pode se propagar pelo solo a partir do ponto da queda do raio, as chamadas descargas laterais, ou atingir alguém indiretamente por condução em estruturas metálicas, água, fios elétricos e encanamentos.

    Uma característica particular dos acidentes com raios é que, muitas vezes, os danos internos são muito mais graves do que os sinais externos aparentam. A corrente elétrica tende a percorrer a superfície da pele em um fenômeno conhecido como flashover, o que pode fazer com que a vítima pareça pouco ferida por fora, mesmo tendo sofrido sérios danos cardíacos e neurológicos.

    Por isso, toda pessoa atingida por um raio deve receber atendimento médico imediato, mesmo que esteja consciente.

    O que fazer ao presenciar um acidente com raio?

    Ao ver alguém ser atingido por um raio, a recomendação é acionar o socorro imediatamente.

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    Diferentemente de outros acidentes elétricos, a vítima não retém carga elétrica e pode ser tocada com segurança. Em casos de múltiplas vítimas, há uma inversão do protocolo tradicional de emergência, deve-se priorizar primeiro quem parece estar sem pulso ou sem respiração, pois essas pessoas ainda têm boas chances de sobrevivência se receberem reanimação cardiopulmonar rapidamente.

    O uso de um desfibrilador externo automático (DEA), quando disponível, também pode ser decisivo.

    Como se proteger durante tempestades?

    A principal medida de proteção é buscar abrigo em locais fechados assim que houver sinais de tempestade elétrica. Raios podem cair a até 10 quilômetros de distância da área onde está chovendo.

    Algumas recomendações importantes:

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    • evitar áreas abertas, topos de morros, campos e praias;

    • não se abrigar sob árvores isoladas;

    • não permanecer em contato com estruturas metálicas;

    • não entrar na água de rios, lagos ou mar;

    • dentro de casa, evitar contato com tomadas, torneiras, janelas e telefones com fio;

    • o abrigo mais seguro, se não houver construção por perto, é dentro de um veículo fechado, com portas e janelas fechadas.

    Se a pessoa estiver ao ar livre e sentir os pelos do corpo se arrepiarem ou a pele formigar, sinal de que um raio pode cair nas proximidades, a orientação é agachar-se, curvar o corpo para frente, com as mãos nos joelhos, evitando deitar no chão, o que aumenta a área de contato com a corrente que pode se espalhar pelo solo.

    Apesar de rara, a chance de ser atingido por um raio é estimada em cerca de uma em um milhão, a descarga elétrica atmosférica está entre os eventos naturais mais destrutivos para o corpo humano.

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