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Navio medieval de comércio é encontrado no fundo do mar da Dinamarca

Cientistas encontraram objetos do cotidiano da tripulação, como calçados, pentes e utensílios de cozinha, entre os destroços de uma embarcação de 600 anos

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jan 2026, 16h00 •
  • Arqueólogos marítimos da Dinamarca anunciaram a descoberta de um enorme navio de carga medieval preservado no fundo do estreito de Øresund, entre a Dinamarca e a Suécia. O naufrágio, batizado de Svaelget 2, é considerado o maior exemplar já encontrado de um “cog”, tipo de embarcação que revolucionou o transporte de mercadorias no norte da Europa durante a Idade Média.

    Segundo o Museu dos Navios Vikings, responsável pela pesquisa, o navio tem cerca de 28 metros de comprimento, 9 metros de largura e 6 metros de altura, com capacidade estimada para transportar até 300 toneladas de carga. A estrutura estava a aproximadamente 12 metros de profundidade e ficou séculos protegida por camadas de areia e sedimentos.

    Os cogs surgiram por volta do século 10 como uma alternativa mais segura e eficiente às embarcações vikings usadas até então. Eles tinham casco largo, bordas altas e porões espaçosos, o que permitia transportar grandes volumes de produtos como madeira, tijolos, sal e alimentos básicos.

    Essas embarcações foram fundamentais para o crescimento das rotas comerciais entre os Países Baixos, a Dinamarca e a região do mar Báltico. Para os pesquisadores, o tamanho do Svaelget 2 indica que, já no início do século 15, existia uma economia suficientemente estruturada para financiar e operar navios desse porte.

    VollwertBIT via Wikimedia Commons under CC BY-SA 2.5
    Réplica do “Bremen cog”, navio construído em 1380 e encontrado naufragado na Alemanha na década de 1960. (VollwertBIT via Wikimedia Commons under CC BY-SA 2.5/Reprodução)
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    O que os pesquisadores encontraram no navio? 

    Além disso, o estado de conservação surpreendeu os arqueólogos. Toda a lateral direita do navio estava soterrada na areia, o que protegeu partes delicadas da estrutura contra a erosão. Entre os achados estão cabos, correntes e outros elementos do sistema de navegação, que costumam desaparecer em naufrágios dessa idade.

    Os mergulhadores também encontraram objetos do cotidiano da tripulação, como sapatos, pentes e contas de rosário, além de utensílios de cozinha.

    Um dos aspectos mais raros do achado é a presença de restos de uma espécie de “castelo” na popa, uma área coberta onde os marinheiros se protegiam do frio e do vento. Até hoje, essas estruturas só eram conhecidas por desenhos e descrições em documentos antigos.

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    Outra descoberta inédita foi a galé de tijolos do navio, uma cozinha feita com cerca de 200 tijolos e 15 telhas, projetada para permitir o uso de fogo a bordo com menor risco de incêndio. Próximo a ela, estavam panelas de bronze, pratos de madeira, tigelas de cerâmica e restos de carne e peixe.

    Análises de anéis de crescimento das árvores usadas na madeira indicam que o navio foi construído por volta de 1410. As tábuas vieram de carvalhos da região da atual Polônia, enquanto a estrutura interna foi feita com madeira dos Países Baixos.

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