Guepardos mumificados por 4 mil anos são encontrados em caverna
Os corpos foram preservados naturalmente na Arábia Saudita e estavam acompanhados por dezenas de esqueletos de outros felinos
Sete guepardos encontrados naturalmente mumificados em cavernas no norte da Arábia Saudita mostram que o felino mais veloz do planeta viveu na região por milhares de anos, incluindo períodos relativamente recentes. A descoberta, publicada na revista Nature, traz as primeiras análises genéticas completas já feitas em grandes felinos mumificados de forma natural. E indica que, além da subespécie asiática hoje restrita ao Irã, outro tipo de guepardo também habitou a Península Arábica, o que pode ampliar as opções para projetos de reintrodução da espécie no país.
A pesquisa revela um passado esquecido da fauna do Oriente Médio em um momento crítico. Os guepardos ocupam hoje apenas 9% de sua área histórica e desapareceram de 91% do território que já dominaram. Na Ásia, a retração chega a 98%. Na Arábia Saudita, a espécie é considerada extinta localmente desde a década de 1970.
Como os corpos foram mumificados?
Os restos mortais foram localizados entre 2022 e 2023 em cinco cavernas da região de Arar, no norte do país. No total, os pesquisadores encontraram sete corpos mumificados naturalmente e 54 esqueletos de guepardos. Em algumas cavernas, a quantidade de felinos superava em muito a de presas, o que sugere que esses espaços não eram apenas armadilhas naturais, mas possivelmente locais usados como abrigo ou até para criação de filhotes.
As condições ambientais explicam a preservação. As cavernas mantêm temperatura elevada e baixa umidade, criando um ambiente seco que inibe bactérias e favorece a mumificação espontânea, algo raro em grandes carnívoros. Tomografias revelaram tecidos moles preservados, articulações intactas e até estruturas internas do cérebro em alguns exemplares, segundo as imagens descritas no artigo.
De 4.000 anos atrás até o período romano
Para entender quando esses animais viveram, os cientistas aplicaram datação por radiocarbono em amostras de ossos e tecidos. Os resultados mostram que os restos mais antigos têm cerca de 4.200 anos, enquanto o mais recente foi datado de aproximadamente 127 anos antes de 1950. Ou seja, algo em torno do fim do século XIX ou início do século XX.
Além disso, exames de crânios apontaram que a maioria dos indivíduos era jovem. Dos 20 crânios analisados, 14 eram de subadultos e nove pertenciam a filhotes com menos de 18 meses. A concentração de animais jovens reforça a hipótese de que as cavernas funcionavam como áreas de abrigo ou criação.





