Fóssil de 512 milhões de anos revela como a vida resistiu a colapso global
Descoberta na China reúne dezenas de formas de vida desconhecidas e ajuda a entender como os ambientes oceânicos se reestruturaram depois de crise
Por Ligia Moraes
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28 jan 2026, 17h00 • Atualizado em 28 jan 2026, 17h15
Allonnia, animal marinho com formato semelhante a um cacto e recoberto por espículas. Barra de escala: 5 mm. (Han Zeng/Reprodução)
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Uma descoberta de fósseis na China, com 512 milhões de anos, revoluciona a compreensão da recuperação dos ecossistemas marinhos após a primeira grande extinção. Com detalhes raros e espécies inéditas, o material revela como a vida se reorganizou e prosperou, preenchendo uma lacuna crucial na história da Terra.
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Um conjunto de fósseis encontrado no sul da China está ajudando cientistas a entender como os ecossistemas marinhos reagiram à primeira grande extinção em massa do planeta. Os vestígios, datados de cerca de 512 milhões de anos, registram com um nível de detalhe raro a diversidade de organismos que habitavam os mares logo após um colapso biológico que interrompeu a chamada explosão Cambriana, a fase da pré-história em que surgiram grande parte dos primeiros animais marinhos.
O material foi descrito em estudo publicado na revista Nature e reúne milhares de exemplares preservados em uma pedreira na província de Hunan. O conjunto inclui 153 espécies distribuídas em 16 grandes grupos de animais. Desse total, 59% nunca haviam sido identificados antes. A preservação inclui tecidos moles, algo incomum no registro fóssil, o que permite reconstruir não apenas quais organismos existiam, mas como viviam e interagiam.
A explosão Cambriana, iniciada há cerca de 540 milhões de anos, é conhecida por ter sido um período de diversificação acelerada da vida animal nos oceanos. No entanto, esse processo foi interrompido por um evento de extinção, ocorrido por volta de 513,5 milhões de anos atrás. Estimativas indicam que entre 41% e 49% das espécies marinhas, especialmente as que viviam em águas rasas e possuíam esqueletos, desapareceram.
Até agora, os registros fósseis disponíveis mostravam com mais clareza os ecossistemas anteriores a essa crise ou apenas muito posteriores a ela. Havia uma lacuna importante justamente no período imediatamente seguinte à extinção, o que dificultava entender como a vida se reorganizou.
Fuxianhuiid, novo artrópode com o trato digestivo preservado. Barra de escala: 2 mm. (Han Zeng/Reprodução)
Que tipo de fósseis foram encontrados?
Os fósseis incluem artrópodes, esponjas, tunicados e outros invertebrados, além de radiodontes completos, que eram os principais predadores daquele período. A presença desses organismos indica que já existia uma cadeia alimentar estruturada e complexa pouco tempo depois da extinção.
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Análises estatísticas comparando esse conjunto com outros 45 sítios fósseis do Cambriano no mundo mostram que há forte semelhança entre os organismos encontrados em Huayuan e aqueles registrados mais tarde no famoso depósito de Burgess Shale, no Canadá. Isso sugere que havia conexões entre diferentes regiões oceânicas, possivelmente impulsionadas por correntes marinhas e variações no nível do mar.
Leptomitus, esponja com preservação in situ de matéria orgânica. Barra de escala: 5 mm. (Han Zeng/Reprodução)
Como os organismos sobreviveram ao colapso?
Os dados indicam que os ambientes de águas mais profundas foram menos afetados pelo colapso do que as regiões rasas. Esses ambientes teriam funcionado como áreas de refúgio para diversas espécies e, possivelmente, como centros de inovação evolutiva após a crise.
Esse padrão ajuda a explicar por que comunidades ricas em organismos de corpo mole conseguiram persistir e, posteriormente, dar origem a novos arranjos ecológicos.
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