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Estudo mostra que sabemos quase nada sobre o fundo do mar

No ritmo atual de exploração, seriam precisos mais de 100 mil anos e mil plataformas atuando simultaneamente para documentar visualmente o assoalho marinho

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 Maio 2025, 12h43 • Atualizado em 8 Maio 2025, 12h43
  • Apesar de o oceano profundo cobrir 66% da superfície da Terra, um novo estudo revela que apenas 0,001% de seu assoalho foi registrado por câmeras desde o início das explorações científicas em 1958. Isso representa cerca de 3.823 quilômetros quadrados, uma área ligeiramente maior que o estado americano de Rhode Island e apenas um décimo do território da Bélgica.

    A estimativa foi feita por pesquisadores da Ocean Discovery League, da Scripps Institution of Oceanography e da Universidade de Boston, com base em mais de 43 mil registros públicos de submersões abaixo de 200 metros de profundidade. O levantamento, o mais abrangente já realizado nesse campo, foi publicado nesta terça-feira (7) na revista científica Science Advances.

    Por que isso importa?

    O fundo do mar profundo abriga o maior e mais inexplorado ecossistema da Terra. É nesse ambiente que ocorrem processos vitais para o equilíbrio do planeta, como a regulação do clima, o armazenamento de carbono e a produção de até 80% do oxigênio que respiramos — graças ao fitoplâncton alimentado pelas águas profundas. Além disso, é uma das maiores promessas da ciência biomédica: diversas substâncias usadas no tratamento de câncer, HIV e até Covid-19 foram isoladas de organismos marinhos encontrados nessas regiões.

    Apesar disso, a distribuição das observações é extremamente desigual. O estudo aponta que 97% dos mergulhos profundos foram realizados por apenas cinco países — Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia, França e Alemanha. E cerca de 70% das expedições ocorreram nas zonas econômicas exclusivas de apenas três países. Isso significa que as descobertas feitas até hoje refletem uma amostra geográfica e ecológica altamente limitada.

    Qual o impacto dessa lacuna?

    Com base nessa pequena e enviesada amostra, a ciência vem tentando descrever e compreender uma parte colossal do planeta. Para efeito de comparação, isso seria como tentar entender todos os biomas da Terra com base em observações feitas em uma única cidade. O risco é formar uma visão distorcida sobre biodiversidade, processos geológicos e até potenciais riscos ambientais.

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    Além disso, o estudo alerta para um declínio nas missões a grandes profundidades. Enquanto na década de 1960 mais da metade dos mergulhos ultrapassava 2 mil metros, hoje apenas um quarto chega a essa profundidade. Isso é problemático, já que três quartos do oceano estão entre 2 mil e 6 mil metros de profundidade.

    Por fim, os autores alertam que, mesmo que o número de veículos submersíveis aumentasse drasticamente, levaríamos mais de 100 mil anos para cobrir visualmente todo o fundo do mar. Diante desse cenário, os pesquisadores defendem um novo modelo de exploração, mais acessível, colaborativo e estratégico, capaz de preencher as lacunas atuais e guiar decisões sobre conservação e uso sustentável dos recursos marinhos.

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