Cada gato tem um ronronar único, como uma ‘impressão digital’, diz estudo
Som emitido em momentos de relaxamento permanece estável ao longo do tempo, enquanto o miado varia conforme a situação
O ronronar de um gato diz mais sobre sua identidade do que o miado. Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista científica Scientific Reports. Ao analisar gravações de gatos domésticos e selvagens com técnicas de reconhecimento automático de fala, os cientistas descobriram que o ronronar permanece estável e individualmente identificável, enquanto o miado varia intensamente conforme a situação.
A equipe utilizou arquivos sonoros e aplicou métodos originalmente desenvolvidos para identificar vozes humanas. O objetivo era investigar se um computador conseguiria associar corretamente um som ao gato que o produziu apenas com base nas características acústicas. A resposta foi positiva para ambos os sons, mas o desempenho foi significativamente maior no caso do ronronar.
Por que o miado muda tanto?
Os pesquisadores observaram que o miado é extremamente adaptável. Um mesmo gato pode emitir sons bastante diferentes dependendo do contexto; ao pedir comida, chamar atenção ou reagir a alguma situação específica. Essa flexibilidade apareceu claramente nos dados, com grande variação sonora dentro do próprio indivíduo.
Já o ronronar apresentou um padrão muito mais constante. Cada gato analisado possuía um ronronar com características próprias, repetidas ao longo das gravações. Por ser um som de baixa frequência e ritmo regular, ele funciona como um marcador confiável de identidade.
O estudo também destaca que o ronronar costuma ocorrer em situações de proximidade social, como durante carinho ou contato com pessoas familiares. Ele também é utilizado na comunicação entre mães e filhotes logo após o nascimento.
Qual o impacto da domesticação na voz dos gatos?
Para entender se esse padrão estava ligado à convivência com humanos, os cientistas compararam os miados de gatos domésticos com os de cinco espécies selvagens: gato-selvagem-africano, gato-selvagem-europeu, gato-da-selva, guepardo e puma. As análises mostraram que os miados dos gatos domésticos são muito mais variáveis do que os de seus parentes selvagens.
Segundo os autores, a vida ao lado de humanos, que possuem rotinas, expectativas e reações distintas, pode ter favorecido indivíduos capazes de ajustar seus miados de forma mais flexível. Com o tempo, o miado teria se tornado uma ferramenta altamente adaptável para interagir com pessoas.
Então, enquanto o miado se transformou em um recurso versátil de comunicação no ambiente doméstico, o ronronar permaneceu estável e consistente. Essa estabilidade o torna um sinal mais confiável para distinguir indivíduos.





