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A Origem dos Bytes

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Crônicas do mundo tecnológico e ultraconectado de hoje. Por Filipe Vilicic, autor de 'O Clube dos Youtubers' e de 'O Clique de 1 Bilhão de Dólares'.

Um bom (e motivador) papo sobre startups brasileiras…

Tive uma conversa interessante com dois dos sócios de um dos grupos de investimentos mais interessantes do Brasil: a Redpoint. Na mesa, estavam Anderson Thees, ex-CEO do site Apontador, e Romero Rodrigues, fundador do Buscapé. Em meio ao cenário desolador que tem contaminado o Brasil, vale compartilhar alguns destaques animadores de nosso bate-papo. De começo, […]

Por Filipe Vilicic 26 Maio 2016, 09h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 22h38
Um bom (e motivador) papo sobre startups brasileiras… Priorize VEJA no Google

Tive uma conversa interessante com dois dos sócios de um dos grupos de investimentos mais interessantes do Brasil: a Redpoint. Na mesa, estavam Anderson Thees, ex-CEO do site Apontador, e Romero Rodrigues, fundador do Buscapé. Em meio ao cenário desolador que tem contaminado o Brasil, vale compartilhar alguns destaques animadores de nosso bate-papo.

De começo, ambos garantem que o negócio está acelerado, independentemente da situação drástica do país. Segundo analisa Rodrigues, há três razões principais para o mercado permanecer bom para startups, o foco de investimentos da Redpoint:

1ª O consumidor tem procurado por opções mais baratas, ágeis, para levar a vida. Nisso, por exemplo, o e-commerce, que tradicionalmente conta com ofertas melhores do que as lojas físicas, cresce. Dentre outras inovações, também é espaço para a atuação de sites de comparação de preços. Um exemplo de sucesso vem do próprio portfólio da Redpoint: o Minuto Seguros. Por esse serviço – que cresce em ritmo exponencial –, clientes podem checar preços de várias seguradoras antes de fechar um contrato.

2ª Há muita gente boa no mercado, desempregada, ou cujos negócios faliram, em busca de oportunidades. É um cenário cruel, evidentemente. Contudo, há um viés positivo: de situações de crise costumam nascer boas e novas ideias. Daí, podem surgir promissoras startups brasileiras, desses empreendedores em potencial.

3ª Diz Rodrigues: “Em consequência da crise, grandes empresas, mesmo do setor digital, tem encostado jovens talentos. A companhia não quer perder funcionários top de linha, mas, ao mesmo tempo, não possui projetos para passar a eles. Com isso, se cria uma leva de “encostados”. Só que talento não gosta de ficar de lado. Eles buscam um trabalho que dê significado ao que fazem. Logo, é normal que escolham largar cargos estáveis em multinacionais por posições mais desafiantes em startups”.

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Em outras palavras, há uma boa somatória: um bom cenário para o surgimento de empresas inovadoras; com muitos potenciais empreendedores em busca de ideias; e talentos à disposição para ajudá-los em suas startups.

No encontro, também conversamos sobre o cenário de investimentos no Brasil. Sempre me desanimei com a maioria dos venture capitalists tupiniquins. Por quê? Normalmente, após injetar dinheiro em uma startup, eles passam a se achar donos do negócio. Querem mudar tudo, transformar as raízes da ideia, serem pais da inovação… ou seja, de venture capitalist eles não têm nada.

Não é o caso da Redpoint. Tenho ouvido de investidores e parceiros do grupo que eles resolveram realmente trazer a mentalidade do Vale do Silício para São Paulo. Qual é esse espírito? O investidor tem de ser um apoiador, um conselheiro, que acredita no negócio. Não alguém que quer tão-somente dominar e interferir e, no fim, acaba apenas por levar tudo pro buraco – justamente por, usualmente, corromper a missão inicial da empresa.

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Thees mandou uma boa frase no encontro: “Se não acreditamos que vai dar certo, não investimos”. É simples, assim. Por isso, até , a Redpoint é conhecida por pleitear fatias menores das startups nas quais investem. “Se os fundadores perdem o controle do negócio, o risco é tremendo dele falhar”, afirmou Rodrigues. “No fim, é melhor ter uma fatia menor de algo que deu muito certo do que uma enorme parcela de uma empresa atolada em dívidas”, acrescentou Thees.

É lógico o que falam os dois investidores? Sim, claro. Contudo, não se via muito essa mentalidade no Brasil. Talvez por isso não sejamos, ainda, uma real referência em hub de inovação – como é, por exemplo, o Vale do Silício, Londres, Berlim, Pequim e Tel Aviv.

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