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Zelândia: cientistas saem em busca de “oitavo continente”

Grupo de 30 pesquisadores embarca nesta semana em uma expedição para investigar o que seria um "oitavo continente" submerso sob a Nova Zelândia

Por Da redação Atualizado em 24 jul 2017, 10h16 - Publicado em 24 jul 2017, 10h14

Uma equipe de trinta cientistas embarca nesta sexta-feira em busca de informações sobre Zelândia, um oitavo continente “perdido” com 4,9 milhões de quilômetros quadrados (equivalente a cerca da dois terços da área da Austrália). Em fevereiro, um grupo de pesquisadores afirmou que essa porção da crosta terrestre, que fica 94% submersa sob a Nova Zelândia, teria todas as características de um continente. Com a viagem, que deve durar dois meses, especialistas de doze países vão recolher indícios sobre a história de Zelândia, que poderiam ajudar no reconhecimento do possível novo continente.

  • “Cerca de 50 milhões de anos atrás, aconteceu uma grande mudança no movimento das placas tectônicas no Oceano Pacífico. Isso resultou no ‘mergulho’ de uma placa sob a Nova Zelândia, a elevação dessa região acima da linha d’água e o desenvolvimento de um novo arco de vulcões”, afirmou Jamie Allan, um dos diretores da divisão de ciências oceânicas da Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês), que financia a expedição, em comunicado. “A investigação vai examinar a história e as causas dessas mudanças, bem como transformações relacionadas nos padrões de circulação oceânica e, finalmente, no clima da Terra.”

    Oitavo continente?

    A Zelândia é uma massa de terra já conhecida pelos cientistas como um fragmento continental – ou seja como um pedaço da crosta terrestre que se desprendeu dos demais continentes. Apenas algumas porções de sua área estão acima do nível do mar, como pequenas ilhas e territórios ao Norte e ao Sul da Nova Zelândia e da Nova Caledônia.

    Há pelo menos duas décadas os pesquisadores analisam as informações sobre Zelândia e, no início do ano, em manifesto publicado em fevereiro o GSA Today, periódico científico da Sociedade Geológica dos Estados Unidos, afirmaram que o modo como ocorreu a separação de Zelândia da Austrália e sua grande área sustentam a definição como continente.

    Para recolher mais indícios que sustentem a nova classificação, a expedição vai sair de Townsville, na Austrália, a bordo de um dos mais avançados navios de perfuração do mundo. Os cientistas vão visitar a área entre a Austrália e Nova Zelândia, fazendo perfurações na crosta terrestre para investigar como aconteceu a “subdução”, nome científico para o “mergulho” de uma placa tectônica sob outra. Eles vão recolher sedimentos entre 300 a 800 metros abaixo do fundo do mar, que são evidências fósseis do passado da Terra.

    “Essa expedição vai responder muitas questões sobre Zelândia”, disse o geocientista Gerald Dickens, da Universidade Rice, nos Estados Unidos, e um dos chefes da expedição. “Há cerca de 100 milhões de anos, a Antártida, Austrália e Zelândia eram um único continente. Por volta de 85 milhões de anos atrás, Zelândia se separou e, por um período, o fundo do mar entre ela e a Austrália era separado por uma cordilheira. O que queremos entender é por que e quando essas etapas ocorreram.”

    Segundo os especialistas, um continente submerso e ainda não fragmentado pode trazer novas revelações sobre a história da Terra e sua evolução.

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