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‘Viver’ na Lua é um dos objetivos principais do programa Artemis, diz cientista da Nasa

Agência espacial pretende ir além da simples volta da humanidade ao solo lunar; desejo final é ter presença permanente no satélite

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jun 2026, 16h35 | Atualizado em 10 jun 2026, 16h41
‘Viver’ na Lua é um dos objetivos principais do programa Artemis, diz cientista da Nasa Priorizar nos meus resultados Google

Nesta semana, a Nasa anunciou os integrantes da missão três do Projeto Artemis. Prevista para 2027, ela vai testar os mecanismos de acoplagem dos módulos de pouso à nave Orion, que novamente irá ao espaço, desta vez com os astronautas Andre Douglas, Frank Rubio, Luca Parmitano e Randy Bresnik. O projeto Artemis, porém, tem um objetivo muito maior: levar a humanidade à Lua e efetivamente viver no satélite cinza.

Em entrevista à AFP, a administradora da Diretoria de Missões Científicas da Nasa, Nicky Fox, explica que a agência americana tem se preparado — e muito — para alcançar esse objetivo máximo. De acordo com a Nasa, a missão 4 vai levar uma equipe de cientistas para viver por uma semana na superfície lunar. Eles devem analisar uma infinidade de características do planeta, para que cada vez mais a humanidade consiga entender o que se passa no satélite único da Terra.

Em outro âmbito, a agência espacial ainda vai além: a Moon Base, morada oficial da humanidade no astro, já está em vias de ser colocada de pé. A Nasa tem parcerias com a Blue Origin, de Jeff Bezos, a SpaceX, de Elon Musk, a Astrobotic e a Lunar Outpost, empresas privadas de exploração espacial, focadas em desenvolver tecnologia para tal. Carros, roupas específicas e drones para exploração são parte do que a agência americana tem colocado em pauta para que a ideia distante de uma morada na Lua vire, pouco a pouco, realidade.

Nicky declara que toda a equipe da empresa quer estar “absolutamente preparada quando formos à Lua e pronta para fazer ciência no momento em que tocarmos a superfície lunar”. Ciência essa que também envolve o corpo humano e suas relações com o mundo espacial. Não há costume entre o homem e o espaço, por isso, é necessário que nas missões Artemis, a agência observe como os tecidos reagem à baixa gravidade.

Na Artemis II, por exemplo, os astronautas usaram uma pulseira que monitorava suas atividades de saúde e a nave carregou amostras de tecido para análise. “Na Artemis III será algo semelhante. Vamos monitorar a saúde da tripulação enquanto realizam diferentes atividades na cápsula Orion, enquanto nos preparamos para estabelecer uma presença permanente na base lunar e pensar no envio de humanos a Marte. Cada missão Artemis se apoia na anterior”, explicou a diretora.

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Nicky revelou ainda à AFP alguns detalhes das próximas pesquisas da Nasa. Segundo ela, existe o projeto de avaliar se é possível cultivar plantas no regolito lunar — ou seja, na camada superficial da Lua — e o projeto que busca compreender como funciona a atividade sísmica do satélite. “Apesar de parecer um grande bloco de rocha, ela é bastante ativa”, explica. “Sempre que recebe um micrometeorito, ela treme. A gravidade da Terra também faz a Lua vibrar levemente. Esses sismos podem ser detectados, o que nos ajuda a determinar onde estão os elementos voláteis e talvez seguir o caminho até a água”.

A primeira vez que a humanidade tocou o solo lunar foi na missão Apollo. À época, os astronautas ficavam poucos dias no astro e logo voltavam, mas agora a ideia é outra. A junção da missão Artemis 4 e da Moon Base procura, definitivamente, criar uma presença humana na Lua. “Estamos dando todos os passos para construir uma base em que os astronautas possam viver, trabalhar e realizar ciência na Lua”, finaliza.

(com AFP)

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