Sudoeste do Oceano Pacífico está sob ‘risco crescente’, alerta agência da ONU
Questões climáticas ameaçam o ecossistema marinho, as nações da região e a economia local
O Sudoeste do Pacífico enfrenta um “risco crescente” devido ao aquecimento dos oceanos, às ondas de calor marinhas e à elevação do nível do mar, alertou nesta terça-feira, 7, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para meteorologia e clima. Segundo o grupo, as águas da região, que banham países como Austrália, Nova Zelândia e Papua Nova-Guiné, estão mais quentes e ácidas, fator que prejudica — e muito — os ecossistemas marinhos e a economia local.
Ao mesmo tempo, a elevação do nível do mar ameaça comunidades costeiras vulneráveis e pequenos Estados insulares de baixa altitude, segundo o relatório Estado do Clima no Sudoeste do Pacífico 2025, divulgado pela OMM. A região registrou, em 2025, o segundo ano mais quente desde o início das medições — atrás apenas de 2024 —, “com eventos climáticos extremos causando grandes transtornos, prejuízos econômicos e perda de vidas”, afirmou a agência.
A temperatura média anual do ar na superfície, sobre áreas continentais e oceânicas, ficou cerca de 0,37°C acima da média do período de 1991 a 2020. “Para muitos países e territórios do Sudoeste do Pacífico, o oceano é essencial para os meios de subsistência, as economias e a resiliência”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “Em 2025, a região enfrentou o aquecimento dos oceanos, a elevação do nível do mar, ondas de calor marinhas e acidificação dos oceanos, além de ciclones tropicais e da contínua perda de gelo das geleiras tropicais.”
“A extensão das ondas de calor marinhas em 2025, embora menor do que no ano anterior, foi a maior já registrada em um ano sem um evento de El Niño”, acrescentou a OMM. “Esse é um sinal preocupante para 2026, quando um evento de El Niño potencialmente forte está em desenvolvimento.” Entre 1999 e 2025, o nível do mar subiu, em média, 3,7 milímetros por ano na região.
Simultaneamente, as águas oceânicas estão se tornando mais ácidas devido à absorção de quantidades crescentes de dióxido de carbono. “A acidificação dos oceanos, juntamente com o aquecimento e a desoxigenação das águas, afeta os ecossistemas marinhos, os habitats e a biodiversidade”, afirmou a OMM. A agência, sediada em Genebra, informou que seus relatórios regionais têm como objetivo fornecer embasamento científico para a tomada de decisões e a redução do risco de desastres.
(com AFP)







