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Paradeiro da exuberante rainha Nefertiti é enigma perto do fim

Em um ano mágico para a cultura egípcia, arqueólogos dizem estar próximos de desvendar o mistério

Por Luiz Felipe Castro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
15 out 2022, 08h00

O Egito vive um momento especial. Em 2022, celebram-se duas efemérides fundamentais para a compreensão de sua fascinante cultura: o bicentenário da tradução dos hieróglifos da Pedra de Roseta e o centenário da descoberta da tumba praticamente intacta do faraó Tutancâmon, no Vale dos Reis. Esses e outros marcos da egiptologia vêm sendo celebrados em uma programação singular, que culminará na inauguração do Grande Museu Egípcio, em Gizé, no próximo mês. Até lá, há esperança de que um novo marco histórico possa ser confirmado: o paradeiro de Nefertiti, madrasta de Tutancâmon, a misteriosa rainha que governou o Egito no auge do império até a sua morte, em 1330 a.C., cujas raras representações conhecidas são um símbolo de poder e beleza. Sua reaparição, no entanto, é cercada de polêmica.

As façanhas arqueológicas eternizaram o nome de seus líderes. Em 1822, o lexicógrafo francês Jean-­François Champollion foi quem desvendou o enigma da Roseta, cravado em três idiomas antigos em um enorme pedaço de granito. Cem anos depois, em 1922, o britânico Howard Carter deu ares cinematográficos à descoberta dos restos mortais de Tutancâmon, o faraó menino que governou o Egito por apenas uma década até sua morte precoce, aos 19 anos, por volta de 1323 a.C. Desde a invasão das tropas de Napoleão Bonaparte, em 1798, o milenar passado da região foi sendo desenterrado sempre sob uma perspectiva colonizadora. Um egípcio autêntico, porém, quer retomar o controle do discurso e também entrar para a história.

NO PRESENTE - Tumba de Tutancâmon, em Luxor: o tesouro se mudará em novembro para o Grande Museu Egípcio, em Gizé -
NO PRESENTE - Tumba de Tutancâmon, em Luxor: o tesouro se mudará em novembro para o Grande Museu Egípcio, em Gizé – (Nick Brundle/Alamy/Fotoarena/.)

O arqueólogo e ex-ministro egípcio de Antiguidades Zahi Hawass, de 75 anos, dedica os últimos anos de sua carreira à caça a tesouros como os de Nefertiti. Em recentes declarações à imprensa europeia, o pesquisador causou alvoroço ao dizer que, enfim, encontrou não apenas a tão sonhada múmia da rainha, mas também a de Anquesenamon, sua filha e esposa de Tutancâmon, ressepultadas nos túmulos KV21 e KV35, armazenados no Vale dos Reis, em Luxor. Em breve, testes de DNA poderão confirmar a autenticidade dos restos mortais. Há, no entanto, outra célebre hipótese, recentemente repaginada.

Hieróglifos encontrados recentemente pelo arqueólogo britânico Nicholas Reeves na tumba de Tutancâmon sugerem que o local de repouso de Nefertiti possa estar em uma câmara adjacente. Seria a confirmação de uma antiga tese, de que o famoso lar do “rei Tut” fosse apenas a parte exterior de uma tumba bem maior, onde repousaria sua madrasta. Até hoje, todos os escaneamentos feitos com radares se mostraram inconclusivos, mas a saga continua. Caso a múmia de Nefertiti seja realmente achada, tanto por Hawass ou por Reeves, seu verdadeiro rosto poderá ser restituído por tomografias computadorizadas.

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MARCO - Carter e seu achado, em 1922: a tumba de Tutancâmon entrou para a história por estar praticamente intacta -
MARCO - Carter e seu achado, em 1922: a tumba de Tutancâmon entrou para a história por estar praticamente intacta – (Apic/Getty Images)

É dela um dos bustos mais célebres do mundo, encontrado em 1912, no Egito. Deslumbrante, ainda que não finalizada (faltava-lhe pintar o olho esquerdo), a peça foi levada a Berlim, onde permanece até hoje, para revolta do nacionalista Hawass. O fascínio pela figura de Neferneferuaten Nefertiti vai além da exuberância de seu busto. Ela foi uma das mulheres do faraó Aquenáton e uma das rainhas mais influentes do Antigo Egito, durante a próspera 18ª dinastia. O casal ficou conhecido por tentar destruir a tradição milenar do politeísmo em favor da adoração a um único deus do Sol, Aton. O herdeiro Tutancâmon, porém, voltou-se contra a reforma religiosa da família e restaurou o panteão de deuses egípcios antes de sua morte prematura. Os registros do período monoteísta foram apagados ao máximo nos últimos 3 000 anos, mas não totalmente destruídos. “Caso seja provada a tese de Reeves de que a múmia de Nefertiti ficou escondida em um anexo na tumba de Tutancâmon, totalmente lacrado, será algo tão cinematográfico e revolucionário quanto a descoberta de 100 anos atrás”, disse a VEJA Pedro Luiz Von Seehausen, arqueólogo e egiptólogo do Museu Nacional. Os fãs de pirâmides, esfinges e afins aguardam ansiosos pelos próximos capítulos dessa incrível saga.

Publicado em VEJA de 19 de outubro de 2022, edição nº 2811

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