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Nova teoria refuta causa da extinção de tigres dentes-de-sabre

Hipóteses anteriores defendiam que faltou comida há 11.000 anos, o que teria levado esses animais à extinção. Nova pesquisa examinou os fósseis e chegou a novas conclusões sobre a alimentação dos felinos pré-históricos

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h24 - Publicado em 27 dez 2012, 21h08

Uma pesquisa publicada no jornal Plos One nesta quarta-feira (26) pode mudar a versão da história de extinção, há 12.000 anos, dos tigres dente-de-sabre (Smilodon fatalis) e dos leões americanos (Panthera atrox). Ambos eram os maiores carnívoros terrestres que viveram no Pleistoceno (período entre 1,8 milhão e 11.000 anos atrás), quando os grandes felinos, mamutes e os maiores mamíferos do mundo desapareceram.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Implications od Diet for the Extinction of Saber-Toothed Cats and American Lions

Onde foi divulgada: jornal Plos One

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Quem fez: Larisa R. G. DeSantis, Peter S. Ungar, Blaine W. Schubert e Jessica R. Scott

Instituição: Vanderbilt University, University of Arkansas, East Tennessee State University

Resultado: Os tigres dente-de-sabre e os leões americanos não foram extintos por não terem o que comer, ao contrário do que defendem as teorias anteriores sobre a extinção da megafauna

A novidade, de acordo com a pesquisa, é que no período anterior ao da extinção, os leões americanos e os tigres dente de sabre, que no final do Pleistoceno viviam na América do Norte, não morreram de fome, pois não encontravam dificuldade alguma em conseguir presas para se alimentar. Além de contradizer os estudos anteriores, que relacionavam a extinção à falta de comida, a pesquisa ainda apresenta um problema para as teorias mais populares da extinção da megafauna da época.

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Segundo a coordenadora da pesquisa, Larisa DeSantis, a teoria mais famosa para a extinção da maioria dos mamíferos de grande porte está relacionada ou a mudança climática no final da última Idade do Gelo ou a atividade humana, ou a uma combinação dos dois. Num caso de competição com os humanos, por exemplo, que pode tornar o alimento mais escasso, a propabilidade é de que os grandes felinos de então passassem a consumir mais carcaças que presas frescas. “Se eles gastaram mais tempo mastigando ossos, isso deve ter causado mudanças detectáveis nos padrões de desgaste em seus dentes”, disse ela, que é professora do Departamento de Terra e Ciência Ambiental da Universidade Vanderbilt, em Nashville, Tennessee (EUA).

Estudos anteriores mostram que animais como as hienas possuem grande número de molares quebrados, devido à mastigação das carcaças. Já os leopardos possuiam grande número de caninos quebrados, provenientes do ato de captura das presas. Os pesquisadores do estudo atual relataram que tanto o tigre dente-de-sabre como o leão americano daquele período possuíam mais de três vezes o número de caninos quebrados, o que interpretaram como uma evidência adicional de que a maioria das rupturas ocorreram durante a captura.

O elevado número de dentes partidos também é relacionado ao grande tamanho dos carnívoros extintos e, consequentemente, de suas presas. O dente de uma raposa pode suportar até sete vezes o seu peso, um leão suporta até quatro vezes, e um trigre dente-de-sabre suporta até duas vezes apenas.

A conclusão foi tirada a partir do mais recente estudo sobre os padrões de desgaste microscópicos dos dentes destes grandes felinos recuperados no Sul da Califórnia. Porém, de acordo com os pesquisadores, ainda não se pode determinar a causa exata da extinção. O resultado, segundo eles, era exatamente levantar questões sobre a hipótese reinante dos “tempos difíceis” para a caça, que podem na verdade não ter sido tão difíceis assim.

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