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Mosquitos picam mais humanos conforme o desmatamento avança, diz estudo brasileiro

A redução da vegetação nativa na Mata Atlântica altera a disponibilidade de hospedeiros e aproxima mosquitos das populações humanas

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 14h50 | Atualizado em 16 jan 2026, 14h59
Mosquitos picam mais humanos conforme o desmatamento avança, diz estudo brasileiro Priorize VEJA no Google
O avanço da destruição da Mata Atlântica está empurrando mosquitos para cada vez mais perto das pessoas e mudando o cardápio desses insetos. Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostra que, em áreas onde a floresta foi fragmentada, os mosquitos estão se alimentando preferencialmente de sangue humano, o que aumenta o risco de transmissão de vírus como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
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A pesquisa analisou mosquitos coletados em dois fragmentos da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro — a Reserva Ecológica do Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu, e o Sítio Recanto Preservar, em Silva Jardim — áreas que ainda mantêm biodiversidade, mas já sofrem forte pressão humana. No total, foram capturados 1.714 mosquitos de 52 espécies diferentes. Apenas 145 fêmeas estavam com sangue no abdômen, e os cientistas conseguiram identificar a origem do alimento em 55 delas por meio de exames genéticos. Entre os insetos em que o sangue pôde ser identificado, a maioria havia se alimentado de humanos.

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Menos floresta, menos opções de alimento

A Mata Atlântica já cobriu mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados ao longo do litoral brasileiro. Hoje, resta apenas cerca de 29% de sua área original. O desmatamento, segundo os autores, reduz drasticamente o número de vertebrados disponíveis como fonte de alimento para os mosquitos, como aves, roedores, anfíbios e outros animais que fazem parte do ecossistema natural.

Os pesquisadores explicam que, com a degradação das florestas e a ocupação crescente do território, os mosquitos passam a circular em quintais, áreas periurbanas e ambientes domésticos.

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Qual o risco por trás das picadas?

Essa mudança de comportamento tem impacto direto na saúde pública. Entre as espécies que apresentaram sangue humano estavam mosquitos conhecidos por transmitir vírus perigosos, como Aedes albopictus, associado a dengue, zika, febre amarela e chikungunya, além de Aedes scapularis, Aedes serratus e Psorophora ferox, vetores ligados à febre amarela silvestre.

A pesquisa lembra que doenças transmitidas por mosquitos matam mais de 700 mil pessoas por ano no mundo. Em 2022, foram registrados 249 milhões de casos de malária, com 608 mil mortes, e em 2019 a dengue atingiu 4,2 milhões de pessoas, com cerca de 3 bilhões sob risco de infecção.

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