Macacos têm mais relações homossexuais quando vivem sob estresse, diz estudo
Análise indica que interações ajudam a reduzir tensões internas, reforçar alianças e manter a coesão dos grupos em cenários de escassez, perigo e disputas
Por Ligia Moraes
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12 jan 2026, 13h00 • Atualizado em 12 jan 2026, 13h21
Diante da escolha entre 'ser egoísta' ou 'ser altruísta', fêmea do chimpanzé opta pela segunda opção (Thinkstock/VEJA)
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Um novo estudo revela que interações sexuais entre macacos do mesmo sexo são mais comuns em ambientes estressantes e grupos sociais complexos. O comportamento serve para fortalecer laços e reduzir conflitos, ajudando na coesão do grupo. A pesquisa abre novas hipóteses sobre a evolução de comportamentos sociais.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Um novo estudo mostra que a interação sexual entre macacos do mesmo sexo aparece com mais frequência em indivíduos que vivem sob pressão e estresse. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Ecology & Evolution e reuniu dados de 491 espécies, com registros do comportamento em 59 delas, incluindo casos repetidos em 23 espécies.
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Ao cruzar informações sobre clima, oferta de recursos, risco de predação e organização social, os pesquisadores encontraram um padrão claro. O comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo é mais comum em espécies que vivem em regiões secas, com menos comida disponível, sob maior ameaça de predadores e relações sociais marcadas por disputas e hierarquias rígidas. Nessas condições, a sobrevivência depende muito mais da cooperação dentro do grupo.
Em espécies como os macacos-de-gibraltar e os macacos-vervet, por exemplo, a escassez de recursos e o risco constante de ataque exigem respostas sociais rápidas. O estudo sugere que essas interações podem funcionar como uma forma de reduzir conflitos e reforçar laços em momentos de estresse coletivo.
O fator que mais aparece ligado diretamente à ocorrência desse comportamento é a complexidade das relações dentro dos grupos. Ele é mais comum em espécies que vivem em bandos grandes, com hierarquias rígidas, disputas frequentes por status e alianças instáveis, como babuínos e chimpanzés.
Os modelos estatísticos mostram que o ambiente molda o modo de vida desses animais, o que, por sua vez, estrutura sistemas sociais mais tensos e competitivos. É dentro desse cenário que esse tipo de interação passa a fazer parte do repertório social das espécies, ajudando a administrar rivalidades e a manter a coesão do grupo.
Isso tem relação com a evolução humana?
Os autores fazem questão de deixar claro que o estudo não trata de orientação sexual, identidade ou experiências humanas. A análise se limita a primatas não-humanos.
Ainda assim, eles observam que nossos ancestrais também viveram por longos períodos sob condições ambientais adversas e em grupos socialmente complexos, o que abre novas hipóteses sobre como certos comportamentos sociais podem ter se desenvolvido ao longo da evolução.
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