Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Lobo-terrível: o que diz a cientista-chefe da startup que quer reviver animais extintos

Bióloga e paleogeneticista Beth Shapiro, professora da Universidade da Califórnia, é também diretora científica da Colossal

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 abr 2025, 18h30 •
  • A bióloga e paleogeneticista Beth Shapiro, professora da Universidade da Califórnia, ganhou notoriedade internacional por seu trabalho na área da “desextinção”, um campo que busca reverter a extinção de plantas e animais através da biotecnologia. Como diretora da startup americana Collossal, ela está à frente dos projetos de trazer de volta à vida o mamute lanoso, o tigre-da-Tasmânia, o dodô e o lobo-terrível. Em seu livro Brincando de Deus (Contexto), lançado no Brasil em 2023, Shapiro defende o uso de ferramentas biotecnológicas como sequenciamento genético e edição de genes para a preservação e manutenção da vida no planeta.

    Na época do lançamento do livro, Shapiro compartilhou suas perspectivas sobre a desextinção e o papel do DNA nesse processo. Em entrevista a VEJA, ela enfatizou a complexidade dos organismos vivos, dizendo que a extinção de um ser vivo é irreversível. “Em contrapartida, todo organismo é mais do que apenas seu DNA”, disse ela. Para Shapiro, a mera replicação do DNA de uma espécie extinta não seria suficiente para trazer de volta o mesmo animal, pois cada organismo é moldado por experiências únicas ao longo de sua vida e pelas condições ambientais. Ela ilustra essa ideia comparando a tentativa de reviver um mamute lanoso a criar um híbrido de um elefante asiático adaptado ao Ártico, observando que, sem o habitat adequado, o animal seria diferente de seus ancestrais.

    No cerne de sua argumentação em Brincando de Deus, Shapiro explora como a humanidade tem alterado a natureza ao longo de milênios e como a biotecnologia moderna representa um novo capítulo nessa interação. Ela discute o potencial da engenharia genética para a conservação, mencionando a possibilidade de criar sistemas de comando genético para eliminar espécies invasoras ou até mesmo ressuscitar espécies extintas para restaurar ecossistemas. Contudo, Shapiro também reconhece os riscos inerentes a essas intervenções, ecoando a prudência de ecologistas preocupados com a possibilidade de “brincar de Deus” e alterar deliberadamente o curso da evolução.

    Os irmãos Remus e Romulus criados pela Colossal Biosciences
    Lobo-terrível: os irmãos Remus e Romulus criados pela Colossal Biosciences (Colossal Biosciences/Reprodução)

    Um tópico sensível abordado no livro é a edição de genes humanos. Embora Shapiro se mostre contrária à ideia de usar essa técnica para criar seres humanos “superiores”, ela pondera sobre o potencial da edição genética para tornar os humanos mais resistentes a vírus, como uma resposta a futuras pandemias. “É assim que vamos embarcar na edição de genes humanos, mas não com a ideia fantasiosa de criar alguém com habilidades sobre-humanas ou beleza física excep­cio­nal”. Shapiro ressalta a importância da responsabilidade na aplicação da biotecnologia, seja para reviver animais extintos ou para proteger a saúde humana.

    Continua após a publicidade
    Mamute lanoso
    Mamute lanoso (Beth Zaiken/Centro de Paleogenética de Estocolmo//.)

    Beth Shapiro converge na defesa de uma intervenção biotecnológica consciente e responsável na natureza. Ela nos convida a considerar nosso papel como agentes de mudança no planeta e a explorar o potencial das novas tecnologias para a preservação da vida, ao mesmo tempo em que nos alerta para as complexidades éticas e ecológicas que acompanham esse poder.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).