Janela para limitar aquecimento a 1,5 ºC pode se fechar antes de 2030
Revisão das estimativas diminuiu pela metade a quantidade de carbono que pode ser emitida

Em 2015, durante a COP21, em Paris, as Nações Unidas definiram que o aquecimento até o final deste século, em relação aos níveis pré-industriais, não poderia ultrapassar os 2 ºC e, idealmente, deveria ficar dentro do limite de 1,5 ºC. Este último cenário, no entanto, parece cada vez menos provável. De acordo com um trabalho publicado nesta segunda-feira, 30, o limite de emissão de gás carbônico para limitar o aquecimento ao cenário mais conservador deve ser atingido antes de 2030.
O estudo, publicado na Nature Climate Change, revisou as análises anteriores e reduziu pela metade a quantidade de CO2 que pode ser emitida sem que as temperaturas globais aqueçam acima de 1,5 ºC. Se a queima de combustíveis fósseis se mantiver como está, esse limite deve ser ultrapassado em seis anos.
“Um dos componentes mais importantes do saldo de emissões restantes é a contribuição dos compostos não carbônicos na mudança total de temperatura”, afirma Christopher Smith, professor da Universidade de Leeds e autor do estudo, em coletiva. “Basicamente, existem elementos que são coemitidos com a combustão de combustíveis fósseis.”
Os autores explicam que há algumas incertezas. Esse limite, que agora foi reduzido para 250 gigatoneladas de CO2 (em comparação com as 500 gigatoneladas das estimativas anteriores), dá 50% de chance de manter o aquecimento dentro dos objetivos mais conservadores. Nessa mesma margem de segurança, 1200 gigatoneladas de emissões são necessárias para manter o aquecimento dentro dos 2 ºC, o que pode levar algo entre 12 e 23 anos.
Os cálculos são difíceis porque podem ser influenciados por muitos fatores, conhecidos e desconhecidos e, por isso, são atualizados com frequência. Uma coisa, contudo, é inquestionável: o aquecimento global é um fato e o tempo para tomar medidas efetivas contra as consequências mais drásticas se reduz a cada dia.