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Evidência mais antiga de fogo feito por humanos é encontrada na Inglaterra

Achado em sítio arqueológico antecipa em cerca de 350 mil anos as evidências de produção deliberada de fogo pela humanidade

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 dez 2025, 17h00 • Atualizado em 10 dez 2025, 18h26
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    Pesquisadores identificaram indícios de produção deliberada de fogo em um antigo sítio arqueológico localizado em Barnham, no condado de Suffolk, no leste da Inglaterra. O local era um antigo poço de extração de argila que foi ocupado por grupos humanos há cerca de 415 mil anos. A descoberta foi publicada na revista Nature.

    No local, os cientistas encontraram sedimentos queimados, machados de pedra lascados pelo calor e fragmentos de pirita, um mineral capaz de produzir faíscas quando golpeado contra outra superfície. O conjunto de vestígios indica que o fogo não apenas existia ali, mas era produzido e mantido de forma intencional.

    Até agora, as evidências mais antigas de fabricação deliberada de fogo por humanos datavam de cerca de 50 mil anos atrás. O novo achado antecipa esse marco em aproximadamente 350 mil anos.

     

    Craig Williams, The Trustees of the British Museum
    Ilustração artística mostra a produção de faíscas a partir do atrito entre duas pedras usadas para acender fogo. (Craig Williams, The Trustees of the British Museum/Reprodução)

    Como os cientistas sabem que o fogo não foi natural?

    Para confirmar que os vestígios não foram deixados por um incêndio natural, os pesquisadores realizaram análises químicas, microscópicas e magnéticas nos sedimentos do solo. Os testes indicaram que a argila foi exposta repetidamente a temperaturas superiores a 700 °C, típicas de fogueiras mantidas por humanos, e não de queimadas provocadas por raios.

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    Outro indício decisivo foi a presença da pirita. Esse mineral é raro na região de Barnham, o que sugere que foi levado até o local de forma intencional.

    Segundo os autores do estudo, essa combinação de fatores aponta para um controle ativo do fogo por esses grupos humanos, e não apenas para o aproveitamento ocasional de incêndios naturais.

     

    Machado de mão fraturado pelo calor encontrado ao lado de uma fogueira de cerca de 400 mil anos em Barnham, Suffolk.
    Machado de mão fraturado pelo calor encontrado ao lado de uma fogueira de cerca de 400 mil anos em Barnham, Suffolk. (Jordan Mansfield, Pathways to Ancient Britain Project./Reprodução)

    Por que essa descoberta é tão importante?

    O domínio do fogo é considerado um dos marcos mais importantes da evolução humana. Ele permitiu aquecer ambientes, afastar predadores, ampliar o período de atividade durante a noite e, principalmente, cozinhar alimentos. O cozimento facilita a digestão, amplia a variedade de alimentos disponíveis e libera mais energia para o corpo.

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    Essa mudança alimentar é apontada como um dos fatores que contribuíram para o crescimento do cérebro ao longo da evolução. Além disso, o fogo favoreceu a convivência em grupo, a divisão de tarefas e o desenvolvimento de novas tecnologias.

     

     

    Quem eram esses humanos que já dominavam o fogo?

    De acordo com os pesquisadores, os habitantes do sítio de Barnham provavelmente pertenciam a uma população ancestral dos neandertais. Fósseis e ferramentas da mesma época encontrados na Inglaterra e na Espanha reforçam essa hipótese.

    Esses grupos já demonstravam comportamentos considerados complexos, como a escolha de materiais específicos para determinadas funções; no caso, a pirita para a produção de faíscas.

    Além disso, encontrar esse tipo de evidência é muito raro, pois vestígios de fogo são difíceis de se preservar ao longo de centenas de milhares de anos. Cinzas, carvão e restos orgânicos costumam ser levados pela água, pelo vento ou destruídos pela ação do tempo. No caso de Barnham, a preservação foi considerada excepcional.

     

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