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Entenda por que é tão difícil esmagar uma barata

De acordo com pesquisadores americanos, esses insetos têm uma incrível flexibilidade e conseguem suportar 300 a 900 vezes o peso do próprio corpo. Essas estratégias podem ajudar a ciência a criar robôs que auxiliem no salvamento de vítimas de catástrofes

Por trás de um exoesqueleto que parece ser bastante rígido, as baratas têm uma grande capacidade de flexibilidade e agilidade. É o que revelou um estudo publicado na última edição da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), uma das revistas de maior prestígio no meio científico. De acordo com os pesquisadores, o motivo das baratas conseguirem escapar quando se sentem ameaçadas ou mesmo quando já foram “esmagadas” é sua extrema resistência: esses insetos conseguem suportar 300 vezes o peso do próprio corpo ao passar por pequenas fendas e, dependendo da situação, o número chega a impressionantes 900 vezes. Agora compreendidas pela ciência, essas estratégias das baratas podem ser usadas para criar robôs mais eficazes no salvamento de vítimas de catástrofes.

Ao demonstrarem qual o peso máximo que uma barata consegue suportar até morrer, por meio de um aparelho de compressão que “apertava” os insetos, os especialistas Kaushik Jayaram e Robert Full, do departamento de biologia integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que o resultado surpreendente vem da formação de um exoesqueleto (sua “capa” marrom) forte e maleável, o que revela o segredo da invulnerabilidade das baratas quando tentamos matá-las.

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Testes – As baratas passaram por diversos testes para que seus movimentos fossem mapeados e calculados. Entre as “provas” pelas quais os insetos passaram, estava um túnel, que se estreitava ao longo do percurso, por onde as baratas se espremiam para atravessar – como elas fazem ao passar por debaixo de uma pequena fresta abaixo da porta. O que a dupla percebeu foi que a combinação de agilidade e flexibilidade permitia que as baratas comprimissem seus corpos em 40% a 60% enquanto atravessavam o túnel estreito, mostrando uma estratégia pouco explorada como um modo de locomoção: uma espécie de fricção que a barata realiza sobre o chão, arrastando-se com a ajuda das patas.

Baratas para salvar vidas – Pensando nestas capacidades impressionantes das baratas, os pesquisadores desenvolveram um robô que, copiando as estratégias das baratas, pode entrar em locais de difícil acesso para salvar vítimas de desastres como desabamentos ou terremotos, por exemplo. Com um casco flexível e resistente a fortes pressões, o robô também conta com hastes motorizadas que repetem os movimentos das patas das baratas para se “infiltrarem” em locais estreitos, ou fugirem de coisas que podem as travar, ou representarem perigo.

Confira o vídeo feito pelos pesquisadores mostrando os testes com as baratas (em inglês):

(Da redação)