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Em quase 30 anos, Brasil perde 15% de superfície de água, diz estudo

Levantamento mostra que existe tendência de redução em oito das doze regiões hidrográficas e em todos os biomas do país

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 ago 2021, 23h36

De acordo com estudo inédito do MapBiomas, o Brasil está secando. O levantamento, parte da série Brasil Revelado: 1985-2020, mostra que existe uma tendência de redução da superfície de água em oito das doze regiões hidrográficas e em todos os biomas do país. O Mato Grosso do Sul é o estado com maior índice de subtração, 57%. Foram analisadas imagens de satélite de todo o território nacional entre 1985 e 2020. A plataforma é uma iniciativa multi-institucional que envolve universidades, organizações independentes e empresas de tecnologia.

Em 1991, a superfície coberta por água do Brasil era de 19,7 milhões de hectares. Já no ano passado, diminuiu para 16,6 milhões de hectares. Houve, portanto, uma redução de 15,7% no país. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a mais de uma vez e meia a superfície de água da região nordeste em 2020.

O estado com a maior perda absoluta e proporcional de superfície de água na série histórica de 35 anos foi o Mato Grosso do Sul, com redução de 57%. Se em 1985 o estado tinha mais de 1,3 milhão de hectares cobertos por água, em 2020 eram apenas pouco mais de 589 mil hectares: perda de 780 mil hectares no período. Em segundo lugar está o Mato Grosso, com menos 530 mil hectares, seguido por Minas Gerais, com um saldo negativo de 118 mil hectares.

Segundo a equipe de pesquisadores, mudanças no uso e cobertura da terra, construção de barragens e de hidrelétricas, poluição e uso excessivo dos recursos hídricos para a produção de bens e serviços alteraram a qualidade e disponibilidade da água em todos os biomas brasileiros. Ao mesmo tempo, secas extremas e inundações associadas às mudanças climáticas aumentaram a pressão sobre os corpos hídricos e ecossistemas aquáticos.

É necessário, dizem os cientistas, implantar a gestão e uso sustentável dos recursos hídricos considerando as diferentes características regionais e os efeitos interconectados com o uso da terra e as mudanças climáticas. “Caso contrário, será impossível alcançar as metas de desenvolvimento sustentável”, explica Carlos Souza, coordenador do grupo de trabalho de Água do MapBiomas.

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Há vários casos que indicam os efeitos combinados do uso da terra e das mudanças climáticas. Um deles é o do Rio São Francisco, que corre por áreas de Cerrado e Caatinga. Os dados analisados mostram que houve uma redução de 10% em sua superfície de água nos últimos quinze anos. Em sua foz, as comunidades já sentem os efeitos, com a invasão do rio pelo mar. Outro rio que está perdendo vigor é o Negro, na Amazônia. Considerando o início e o final da série, perdeu mais de 360 mil hectares de superfície de água, uma diferença de 22%.

O município que mais pegou fogo entre 1985 e 2020, segundo o MapBiomas Fogo, e que mais perdeu água nesse período, pelo MapBiomas Água, foi Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Cáceres, o quinto que mais queimou no país, é o vice-líder em perda de superfície de água. “Os ciclos de fogo e água estão interligados e se retroalimentam. Menos água deixa a terra e a matéria orgânica que se depositam sobre ela mais vulneráveis ao fogo. Mais fogo suprime a vegetação, que tem papel crucial para perenizar nascentes e mananciais”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

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