Eclipse solar total vai provocar mudanças temporárias no clima
O evento dura pouco mais de dois minutos, mas altera a circulação dos ventos e a umidade do ar
O eclipse solar total desta quarta-feira, 12, não vai apenas escurecer o céu em uma extensa faixa entre o Ártico e a Europa Ocidental. A passagem da Lua diante do Sol também deverá provocar alterações temporárias na temperatura, na umidade, nos ventos e na circulação do ar. O fenômeno funciona como uma espécie de experimento natural em grande escala: durante alguns minutos, a principal fonte de energia da atmosfera é abruptamente reduzida e, depois, restabelecida.
O efeito começa pela interrupção da radiação solar que chega à superfície. Em condições normais, a luz do Sol aquece o solo, que, por sua vez, transfere calor para o ar imediatamente acima dele. O ar aquecido sobe e produz correntes de convecção, turbulência e circulação nas camadas mais baixas da atmosfera. Quando a Lua encobre o Sol, esse mecanismo perde força rapidamente. O solo esfria, a temperatura do ar cai e a atmosfera próxima à superfície tende a se tornar mais estável.
A intensidade da mudança varia conforme o horário, a localização, a presença de nuvens e as condições meteorológicas. Durante o eclipse total que atravessou a América do Norte em abril de 2024, pesquisadores registraram em uma estação em Maryland uma redução de cerca de 98% da radiação solar e queda de 2,8°C na temperatura. O ponto mais frio ocorreu alguns minutos depois do máximo do eclipse, porque o solo e a atmosfera levam algum tempo para responder à redução de energia.
O vento também pode perder força. Com menos calor chegando ao solo, diminuem as correntes ascendentes que ajudam a movimentar e misturar o ar. Estudos de eclipses anteriores já registraram redução da velocidade dos ventos e da turbulência atmosférica durante a passagem da sombra lunar. No Reino Unido, durante o eclipse de 2015, pesquisadores observaram queda média de aproximadamente 9% na velocidade do vento.
Outra mudança ocorre na umidade relativa do ar. À medida que a temperatura diminui, o ar passa a necessitar de menos vapor d’água para atingir a saturação. Por isso, a umidade relativa pode aumentar mesmo sem que uma quantidade significativa de água seja acrescentada à atmosfera.
Os efeitos duram pouco. Assim que a Lua se afasta e a radiação solar retorna, o solo volta a receber energia e a atmosfera começa gradualmente a recuperar suas condições anteriores. Para os cientistas, porém, esses poucos minutos são preciosos: permitem observar, praticamente em tempo real, como temperatura, vento, umidade e circulação atmosférica respondem quando o Sol é temporariamente “desligado”.
O percurso é especialmente interessante: a sombra atravessará Rússia, Oceano Ártico, Groenlândia, Islândia, Atlântico Norte, Espanha e uma pequena área de Portugal. A totalidade máxima será de aproximadamente 2 minutos e 18 segundos, em uma região próxima à Islândia. Na Espanha, o fenômeno será particularmente importante. Grande parte da metade norte do país ficará dentro da faixa de totalidade, passando por áreas como A Coruña, León, Bilbao, Zaragoza e Valência, além das Baleares. Em A Coruña, por exemplo, a totalidade ocorrerá por volta das 20h28, horário local, quando o Sol já estará baixo no horizonte.







