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De volta ao espaço: as façanhas da ciência em 2020

Em maio, a Estação Espacial Internacional recebeu o primeiro voo tripulado comercial da história, realizado pela SpaceX. E foi apenas o começo

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 24 dez 2020, 09h23 - Publicado em 24 dez 2020, 06h00

A pandemia freou a humanidade, mas a Terra não parou de girar. Além disso, a exploração espacial ganhou novos protagonistas em 2020. Em maio, a Estação Espacial Internacional recebeu o primeiro voo tripulado comercial da história, realizado pela SpaceX, a empresa do bilionário Elon Musk, em parceria com a Nasa. A viagem apresentou tecnologia eficiente e econômica e foi mais um passo de Musk rumo a seu objetivo maior, que é um dia colonizar Marte. O Planeta Vermelho, por sinal, também entrou, digamos assim, na janela de pesquisa. Aproveitando o momento de maior aproximação com a Terra, de cerca de 60 milhões de quilômetros de distância, as sondas começaram a zarpar para lá. Quem puxou a fila em 19 de julho foi a Al-Amal, marcando a estreia dos Emirados Árabes em um programa dessa magnitude. A sonda ficará em órbita em busca de dados da atmosfera marciana. Quatro dias depois, a China, outra nação relativamente novata no ramo, lançou a Tianwen-1, para estudar a bacia de Utopia Planitia, a mesma onde a sonda Viking 2, da Nasa, aterrissou em 1976, na primeira missão bem-sucedida em solo vermelho. Ainda em julho, partiu do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, o veículo robótico Perseverance. “Sabemos que não encontraremos seres macroscópicos, mas vamos procurar sinais de vida bacteriana, moléculas de carbono e material orgânico abaixo da superfície”, contou a VEJA o brasileiro Ivair Gontijo, engenheiro da Nasa que participou do projeto. Mas o ano ainda reservou mais três façanhas. Uma delas foi a descoberta de moléculas de água na Lua, feita aqui da Terra, pelo observatório Sophia, montado em um jato 747 que subiu a 13 700 metros para detectar o líquido precioso com um telescópio de luz infravermelha. A sonda Osiris-Rex, da Nasa, conseguiu tocar o asteroide Bennu, que vaga a 320 milhões de quilômetros de distância, levantando detritos para recolhê-los no vácuo espacial. O estudo dessa carga será fundamental para entender os asteroides que passam no sistema solar. A viagem de volta ao lar, porém, levará quase três anos. Uma viagem bem mais curta fez a sonda chinesa Chang’e-5, que foi à Lua buscar 2 quilos de rochas lunares que permitirão novos estudos do único satélite natural da Terra. Nenhuma sonda recolhia amostras de lá fazia mais de quarenta anos.

Publicado em VEJA de 30 de dezembro de 2020, edição nº 2719

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