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Cientistas confirmam que tartaruga é de espécie considerada extinta

Fernanda foi encontrada em 2019, na Ilha Fernandina, no arquipélago de Galápagos, mas só agora pesquisadores confirmaram a descoberta

Por Alessandro Giannini 10 jun 2022, 18h46

Em 1906, durante uma expedição da Academia de Ciências da Califórnia, o explorador americano Rollo Beck coletou o único espécime conhecido de Chelonoidis phantasticus na desabitada Ilha Fernandina, próxima do Equador. Em 2019, outra tartaruga – batizada de Fernanda – foi encontrada na mesma ilhota, parte do Arquipélago de Galápagos. Um exame genético comparando os dois animais comprovou que eles são da mesma espécie, a chamada “Fantástica Tartaruga Gigante”, que era considerada extinta.

Quando Fernanda foi descoberta, muitos ecologistas duvidaram que ela fosse realmente uma tartaruga phantasticus nativa. Ela não tem a impressionante protuberância nas costas do espécime histórico masculino, embora os cientistas especulem que seu crescimento atrofiado pode ter distorcido suas características. O resultado da comparação genética comprovando que se trata de uma nova tartaruga da mesma espécie foi publicado esta semana na revista Nature.

Pesquisadores da Universidade de Yale e da Universidade de Newcastle já haviam chegado à mesma conclusão, mas a nova avaliação destaca a singularidade genética de Fernanda e examina a relação de sua espécie com outras tartarugas gigantes de Galápagos. A equipe de pesquisadores comparou os genomas dos dois espécimes conhecidos da espécie com um conjunto de dados de genomas de cada uma das 12 linhagens de tartarugas gigantes vivas e uma extinta do arquipélago.

Espécie masculina de Chelonoidis phantasticus
Espécime masculino de tartaruga gigante de Galápagos coletada em 1906 – California Academy of Sciences/Reprodução

Segundo os pesquisadores, Fernanda provavelmente tem mais de 50 anos, mas é pequena em razão de seu crescimento atrofiado. Ela está agora em cativeiro no Centro de Tartarugas do Parque Nacional de Galápagos. Durante outras expedições na Ilha Fernandina, foram encontrados sinais de pelo menos duas ou três outras tartarugas que podem ser da mesma espécie.

Por muitos anos, pensou-se que o espécime original, coletado em 1906, havia sido transplantado para a ilha, pois era o único de seu tipo. Agora parece ser um dos poucos que estavam vivos há um século. As tartarugas não conseguem nadar de uma ilha para outra, mas flutuam e podem ser transportadas durante furacões ou outras grandes tempestades. Há também registros históricos de marinheiros movendo as tartarugas entre as ilhas.

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