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China inaugura o primeiro museu de répteis voadores

Mostra reúne coleção única de ovos e embriões fossilizados de pterossauros, revelando segredos de seu desenvolvimento

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 set 2026, 07h00 | Atualizado em 16 set 2026, 10h20
China inaugura o primeiro museu de répteis voadores Priorize VEJA no Google

Um museu que parece uma ninhada de ovos pré-históricos. Essa é a ideia por trás do novo espaço dedicado aos pterossauros inaugurado em Hami, cidade da província de Xinjiang, no noroeste da China. Instalado em um geoparque nacional, o complexo ocupa 4,6 mil metros quadrados e reúne, pela primeira vez em um mesmo local, uma coleção com os únicos ovos e embriões fossilizados de pterossauros preservados em seu volume original.

A mostra permite estudar aspectos do desenvolvimento desses animais antes da eclosão. Os fósseis, por exemplo, mostram que os pterossauros já desenvolviam os ossos das asas antes de sair do ovo, embora a capacidade de voo dos filhotes ainda seja tema de investigação.

No novo museu, até o prédio entrou no clima. O projeto é formado por seis salas ovais, dispostas de maneira escalonada, que, quando vistas de cima, reproduzem a aparência de uma enorme ninhada. A construção parece ter sido feita sob medida para seus moradores originais — répteis voadores que dominaram os céus muito antes de os aviões sequer serem imaginados.

Os pterossauros viveram entre cerca de 228 milhões e 66 milhões de anos atrás e foram os primeiros vertebrados conhecidos a desenvolver voo ativo. Apesar de terem convivido com os dinossauros, pertenciam a um grupo diferente de répteis. Depois de mais de 160 milhões de anos nos céus, a linhagem dos pterossauros desapareceu há 66 milhões de anos, na mesma extinção em massa que eliminou os dinossauros não avianos. Mas há mais mistério sobre o mundo dos pterossauros. O problema é que os pterossauros tinham ossos finos e frágeis, adaptados ao voo, que raramente resistiam ao processo de fossilização. Por isso, o registro desses animais é bastante irregular: alguns poucos sítios geológicos excepcionalmente favoráveis concentram boa parte dos fósseis conhecidos, enquanto em outras regiões sobraram apenas ossos isolados ou fragmentos. E isso torna os ovos e embriões de pterossauros do novo museu chinês particularmente interessantes. Eles preenchem uma lacuna: permitem observar não apenas os animais adultos, mas como esses répteis se desenvolviam antes de nascer. O registro de ovos e indivíduos jovens é muito mais raro do que o de animais adultos.

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