Aniversário da Abril: VEJA por apenas 9,90

As chamas do descaso

Nos primeiros dias depois do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, a estimativa era de que cerca de 90% da coleção tinha sido destruída

Por Jennifer Ann Thomas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 dez 2018, 07h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 16h03
  • selo-retrospectiva-2018

    Na noite de 2 de setembro, o edifício do Museu Nacional, no Rio, antiga residência dos imperadores do Brasil, transformou-se em uma imensa e tristíssima fogueira. O prédio histórico, que completara dois séculos em junho, guardava em seu acervo mais de 20 milhões de itens. O crânio de Luzia, o fóssil mais antigo encontrado nas Américas, de quase 12 000 anos, estava lá. Nos primeiros dias depois da tragédia, a estimativa era de que cerca de 90% da coleção tinha sido destruída. Divulgou-se também que a instituição se encontrava em situação irregular junto ao Corpo de Bombeiros e que as condições precárias do edifício vinham sendo investigadas pelo MPF havia dois anos. O museu não tinha seguro.

    Logo que as primeiras imagens das gigantescas labaredas devorando o prédio começaram a ser veiculadas, muitos pesquisadores que desenvolviam trabalhos na instituição correram para o local, em uma tentativa de salvar objetos e documentos. A geóloga Patrícia Quadros, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, à qual o museu está atrelado, foi uma das primeiras a chegar ao edifício em chamas. “Perdemos o maior acervo da América Latina. Perdemos toda a nossa história e a história que a gente estava construindo”, disse ela. “É necessário que o poder público olhe para o Brasil e pense no significado da nossa memória histórica”, disse o biólogo Roberto Leher, reitor da UFRJ.

    O episódio tornou-se um lastimável símbolo do descaso para com a ciência no país. De dez anos para cá, os museus nacionais receberam apenas um terço do que pediram, via Lei Rouanet, para preservar seu acervo. No Brasil há 3 800 instituições desse gênero cadastradas. Na última década, foram submetidos ao MinC 215 projetos com o intuito de preservação. Destes, 76 não conseguiram captar recursos. Segundo a Agência Lupa, desde 2009 somente seis dos trinta museus administrados pelo governo federal apresentaram iniciativas para conservação de patrimônio. Com o fogo domado, o Planalto anunciou a criação de uma rede para viabilizar a reconstrução do museu no tempo mais breve possível. Nada ainda saiu do papel.

    Publicado em VEJA de 26 de dezembro de 2018, edição nº 2614

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 39,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).