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Artemis II: quais os próximos passos da missão rumo à Lua

Astronautas acionam motores da cápsula Orion e tiram espaçonave da órbita terrestre

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 abr 2026, 09h01 | Atualizado em 6 abr 2026, 10h35
Artemis II: quais os próximos passos da missão rumo à Lua Priorizar nos meus resultados Google

Os quatro astronautas da missão Artemis II acionaram na quinta-feira, 2, os motores de sua nave e deixaram a órbita terrestre, onde permaneceram por quase um dia, para seguir rumo à Lua, um feito inédito para a Nasa em mais de meio século. “A humanidade voltou a mostrar do que somos capazes”, disse o astronauta canadense Jeremy Hansen, que embarcou na missão juntamente com três americanos, pouco após a manobra, realizada às 20h49 de Brasília.

Durante quase seis minutos, a nave Orion gerou o impulso necessário para deixar a órbita da Terra e seguir rumo à Lua. Hansen mencionou “uma vista impressionante”. “Nada prepara para essa emoção”, confessou depois Christina Koch. Durante uma entrevista ao vivo concedida pela tripulação a emissoras de televisão e transmitida pelo sinal oficial da Nasa, o especialista canadense descreveu uma Terra “iluminada como se fosse dia e banhada pelo brilho da Lua”.

Com o impulso potente, a Artemis II tornou-se a primeira missão tripulada rumo ao satélite natural desde o fim do programa Apollo, em 1972. A presença humana no espaço estava limitada, desde então, às imediações da Terra, principalmente na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Localizada a mais de 384.000 quilômetros de distância, a Lua está 1.000 vezes mais longe da Terra do que a ISS. A missão levará entre três e quatro dias para chegar ao satélite natural da Terra.

A Artemis II busca abrir caminho para um retorno à superfície lunar em 2028, mais de meio século depois das missões Apollo. A tripulação não vai pousar, e sim orbitar a Lua, passando por trás de seu lado oculto na próxima segunda-feira, 6, antes de retornar para a Terra, no dia 10.

O astronauta da Agência Espacial Canadense (CSA), Jeremy Hansen, especialista da missão Artemis II, os astronautas da NASA Reid Wiseman, comandante da Artemis II, Christina Koch, especialista da missão Artemis II, e Victor Glover -
O astronauta da Agência Espacial Canadense (CSA), Jeremy Hansen, especialista da missão Artemis II, os astronautas da NASA Reid Wiseman, comandante da Artemis II, Christina Koch, especialista da missão Artemis II, e Victor Glover – (Nasa/AFP)
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Sem retorno

A tripulação baterá um recorde ao se tornar a que foi mais longe no espaço. A trajetória foi definida para que a nave seja atraída pela gravidade da Lua e depois retorne diretamente à Terra, sem propulsão adicional. O cálculo tem uma desvantagem: uma vez iniciado o impulso principal, não há volta. Para retornar à Terra, a Orion deverá primeiro chegar à órbita da Lua e voltar, em uma viagem de vários dias. Os astronautas usam trajes que também funcionam como sistemas de sobrevivência: em caso de despressurização ou vazamento na cabine, eles manterão o oxigênio, a temperatura e a pressão adequados por até seis dias.

Para minimizar os riscos, os astronautas a bordo — os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen — realizaram uma série de testes perto da Terra nas 24 horas seguintes ao lançamento bem-sucedido para garantir a confiabilidade da nave, que nunca havia transportado uma tripulação. Entre os poucos imprevistos técnicos que ocuparam o centro de controle em Houston nas primeiras horas do voo, houve um problema com o banheiro, que foi resolvido.

O programa Artemis custou dezenas de bilhões de dólares e sofreu um atraso de anos. “A Nasa precisa com urgência de que isso dê certo”, disse à AFP o especialista Casey Dreier, da The Planetary Society. Ele destacou que a agência enfrenta problemas de orçamento e várias baixas, principalmente de cientistas que trabalham com o clima.

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A missão Artemis II tem como objetivo verificar se tudo está em ordem para permitir o retorno dos americanos à superfície lunar, previsto para 2028, antes do fim do segundo mandato de Donald Trump. O objetivo da Nasa é construir uma base perto do polo sul lunar, onde nenhum ser humano jamais esteve, e utilizar as missões lunares para preparar futuros voos a Marte. A meta é um empreendimento extremamente complexo e caro, que acontece sob a pressão implícita da China, que também aspira pousar na Lua até 2030.

(Com a AFP)

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