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A ameba da Califórnia que quebrou recorde ao viver em temperaturas extremas

Organismo eucarionte é o mais novo ser vivo complexo a conseguir viver em 64ºC

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 set 2026, 19h24 | Atualizado em 23 set 2026, 10h48
A ameba da Califórnia que quebrou recorde ao viver em temperaturas extremas Priorize VEJA no Google

No Parque Nacional Vulcânico Lassen, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, diversas fumarolas, fontes termais e vulcões antigos formam uma área que tem como característica principal as temperaturas extremas de suas águas. É exatamente nessa região que vive um organismo microscópico, a ameba Incendiamoeba cascadensis, ser vivo natural do Parque e que quebrou um recorde: ele consegue sobreviver a temperaturas acima de 147 Fahrenheit, ou 64 graus Celsius. 

A pesquisa que descobriu os novos limites do microrganismo, financiada pela Nasa, foi publicada nesta terça-feira na revista Cell. A ameba, apesar de aguentar altas temperaturas, tem seus limites. Ela consegue sobreviver de forma tranquila a temperaturas de até 64ºC, mas para de se reproduzir a partir dos 63ºC. Ainda assim, 

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O estudo de organismos que vivem no limite como a ameba é fundamental para a exploração espacial. Astrobiólogos dedicam a vida a estudar organismos que sobrevivem a condições extremas, como forma de compreender até onde pode ir a vida humana em condições menos favoráveis que no planeta Terra. Os seres vivos que aguentam eventos, situações extremas e que perseveram em condições que acreditava-se ser impossível tem um nome: extremófilos.

A Incendiamoeba cascadensis é um deles. Apesar disso, o recorde dos 64ºC não é o maior já registrado para um organismo vivo sobreviver. Outros seres muito mais simples já atingiram níveis mais altos, mas o que difere a ameba deles é sua complexidade. A ameba é um ser eucariótico, ou seja, organismo em que a célula tem um núcleo e é organizada com organelas, diferente de outros seres unicelulares mais simples, como os procariontes, que não têm núcleo e o material genético fica solto pela célula.  

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Altas temperaturas em geral levam à quebra das proteínas e outras moléculas que as células de um organismo precisam para funcionar. O calor também pode fazer com que suas membranas se quebrem, o que também destrói as células. Acreditava-se até então que as membranas de um ser eucarionte não poderiam se manter estáveis acima de 62ºC. A descoberta da ameba californiana prova o contrário. “Esperamos que a descoberta do I. cascadensis encoraje outros a continuarem na busca por eucariontes que vivem em altas temperaturas”, explica o autor líder do estudo, Beryl Rappaport.

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Após o encontro com o microrganismo, a equipe de pesquisadores partiu para o sequenciamento de seu genoma. Através dessa análise eles descobriram que o ser vivo tem genes específicos no DNA que o auxiliam a não quebrar nas altas temperaturas, enquanto outros servem para sentir e avaliar o ambiente externo. Eles identificaram que, em altas temperaturas, a expressão de genes responsáveis por impedir as proteínas de se dobrarem aumentou. 

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