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‘Usarei todas as minhas forças’ contra a volta de Lula, diz Doria

Prefeito volta a dizer que Alckmin é seu candidato, mas critica gestões do PT no governo federal e diz que ser um político novo conta a seu favor em 2018

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 abr 2017, 19h10 | Atualizado em 4 jul 2026, 12h54
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O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu usar todas as suas forças para combater a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência nas eleições de 2018 e colocou o petista como uma das principais motivações que o levaram a decidir lançar-se candidato a prefeito.

“Uma das motivações que eu tive para disputar as eleições foi o Lula, foi o assalto ao dinheiro público no Brasil, foi o roubo generalizado, foi a má gestão pública federal, as mentiras e as promessas feitas à população e não cumpridas, os 13 milhões de desempregados que ele deixou de presente para o Brasil, três anos de recessão econômica e a pior imagem pública do Brasil no mundo”, afirmou em entrevista à agência de notícias Reuters.

Ao mesmo tempo, Doria afirmou ser leal ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), seu padrinho político, e reafirmou ser ele o seu candidato ao Palácio do Planalto em 2018 sem, no entanto, descartar explicitamente uma candidatura à Presidência no ano que vem.

Indagado sobre a possibilidade de lançar-se caso as pesquisas o apontem como único capaz de fazer frente a Lula, disse: “O Lula agora se apresenta como salvador e quer disputar em 2018 como salvador. Salvador do quê?”, questionou. “Eu usarei todas as minhas forças como cidadão e como prefeito para falar a verdade e dizer que basta! Já chega do desastre que colocaram no Brasil.”

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Com a candidatura apoiada ostensivamente por Alckmin e depois de uma prévia interna tucana turbulenta, Doria elegeu-se prefeito da maior cidade do país no ano passado já no primeiro turno, feito inédito desde que se instituiu a eleição em dois turnos na cidade. Desde então, vem repetindo com frequência o mote da campanha de não ser um político, mas sim um gestor, e imprimiu uma marca de constantes aparições públicas ao lado de seu secretariado em atividades como de zeladoria urbana, nas quais usa uniforme de gari, e de presença diária nas redes sociais.

São comuns também suas críticas ao PT – críticas essas que diz que fez, faz e fará – e especialmente a Lula, que muitas pesquisas apontam como líder nas intenções de voto para 2018. Doria, entretanto, afirma que os ataques ao ex-presidente, a quem costuma chamar de “cara-de-pau”, não têm pretensões eleitorais e refletem um discurso que tem feito desde as prévias.  

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Com o nome cada vez mais em evidência, o prefeito passou a ser apontado como possível candidato à Presidência no ano que vem, o que gerou incômodos dentro do PSDB, já que Alckmin, ao lado do presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), é um dos principais postulantes tucanos à candidatura ao Planalto.

O prefeito, por sua vez, segue afirmando publicamente que seu maior objetivo é fazer uma boa gestão na prefeitura, mesmo quando confrontado com a avaliação, com a qual concordou, de que há desgaste com a classe política e com os políticos tradicionais.

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“É um sentimento muito claro na opinião pública brasileira e vai influenciar sim nas eleições de 2018”, avaliou. “Sou prefeito, recém-eleito, quero ser um bom prefeito para minha cidade. Estamos no caminho certo, mas não quero dizer com isso que isso pavimenta qualquer candidatura. Tudo a seu tempo. Temos uma longa trajetória pela frente.”

Alckmin, que pode ter suas pretensões feridas pelo acordo de delação premiada de ex-executivos da Odebrecht na Lava Jato, no qual teria sido um dos políticos citados como destinatário de recursos da empreiteira, é elogiado por Doria que reconhece no aliado um político, “mas com uma trajetória muito bem construída ao longo da sua vida, de maneira correta, como bom gestor”.

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“Há algumas coisas que foram colocadas recentemente, mas eu pessoalmente confio muito na idoneidade e na postura ética que ele sempre pautou a sua vida política”, disse o prefeito, que defendeu a realização de prévias para definição do presidenciável tucano e concordou com a ideia de Alckmin de que a escolha se dê até o final deste ano.

Aécio também é acossado pela Operação Lava Jato. Ele foi citado em delação do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, que disse que a empreiteira fez depósitos para o tucano em conta sediada em Nova York e operada por sua irmã e braço-direito, a jornalista Andrea Neves, conforme revelou reportagem de VEJA desta semana. Aécio nega a acusação.

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Reformas

Oriundo do setor privado, Doria defendeu as reformas da Previdência e trabalhista, propostas pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) ao Congresso Nacional, e elogiou as “posições claras” do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Para o prefeito paulistano, a concretização dessas duas reformas, aliada à lei que regulamenta a terceirização já sancionada por Temer, poderá alterar o atual cenário de “certo otimismo” dos investidores externos com o Brasil para um momento de “entusiasmo” com o país.   

“A estabilidade política também pode ajudar”, disse o prefeito, para quem a manutenção de Temer na Presidência, em meio à possibilidade de o presidente ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), será benéfica para a economia.

“Não havendo nenhuma situação que interrompa o mandato do presidente Temer, isso também será mais um fator positivo que aumentará a confiança do mercado com relação ao Brasil”, disse Doria, que atribuiu a complicada situação econômica do país ao PT e, especialmente, ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve o mandato cassado em um processo de impeachment.

“Nos 13 anos do governo do PT, especialmente no governo Dilma, mais acentuadamente no governo Dilma, destruíram a reputação do Brasil e destruíram os princípios de respeito aos contratos”, atacou.

(Com Reuters)

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