Treinamento para subir na vida
O coaching de resultado arrebanha multidões e movimenta milhões de reais no Brasil; duro é saber quem é sério
No palco iluminado, um homem caminha de um lado para o outro, falando à multidão de mais de 3 000 pessoas. Seus assuntos são fé, família, relacionamentos e futuro. Ele promete avanços na carreira em cinco meses e a reprogramação de crenças pessoais em três dias. De repente, vira-se para um rapaz da plateia e dispara: “Você sabe que eu já te li. Perdoa teu pai”. E segue pregando. Do lado de fora do salão, o rosto do orador estampa livros, cadernos, DVDs e camisetas. Paulo Vieira, o dono do microfone, não é pastor evangélico. Vieira é coach, um dos mais bem-sucedidos do país, há mais de 100 semanas na lista dos livros mais vendidos de VEJA. Por seus cursos de inteligência emocional já passaram mais de 300 000 pessoas dispostas a desbravar o que promete ser a trilha mais rápida e certeira para o sucesso pessoal e profissional.
Ninguém sabe dizer quantos brasileiros se intitulam coaches atualmente. Só os formados pela Febracis, a Federação Brasileira de Coaching Integrado e Sistêmico, comandada por Vieira, pularam de 400, em 2012, para mais de 8 000. Estima-se que o mercado movimente cerca de 50 milhões de reais por ano no Brasil (2 bilhões de dólares no mundo). O crescimento vertiginoso aqui é atribuído a dois fatores: a crise econômica e a diversificação de carreira.
VEJA acompanhou um seminário de coaching e inteligência emocional promovido pela Febracis e observou pessoas desconhecidas compartilhando intimidades, abraçando-se, olhando fixamente para outra e dançando, atividades que podem parecer constrangedoras, mas às quais os participantes se entregaram com gosto. Durante os três dias de curso, Paulo Vieira bateu insistentemente na tecla de que a pessoa é aquilo que ela fala e em que acredita — daí vem sua marca registrada, o grito de guerra “yes, yes, yes” com os braços para cima, que ele recomenda repetir ao menos uma vez por dia (“É idiota, mas funciona”, brinca com a plateia). Para cada técnica que aborda, Vieira saca uma pesquisa corroborativa, como a da psicóloga Amy Cuddy, professora na Universidade Harvard, que comprovou que a linguagem corporal muda os pensamentos e sentimentos das pessoas.
Muitas das técnicas adotadas por Vieira e outros coaches bem-sucedidos baseiam-se na controvertida programação neurolinguística (PNL). Criada na década de 70, a PNL propõe uma espécie de reprogramação mental através da linguagem. Segundo essa corrente, a comunicação oral e corporal pode ajustar a mente para a obtenção de resultados — emocionais, físicos ou econômicos… A proposta sobrevive, forte e atuante, em que pese a chuva de críticas.
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