Tiro que matou menina em escola do RJ partiu de arma de policial
Laudo ainda não foi concluído, mas confronto balístico com projétil retirado da perna de adolescente indica que disparo partiu de policial militar

O laudo oficial do Instituto Criminalística Carlos Éboli (ICCE) ainda não está pronto, mas a Divisão de Homicídios (DH) já foi informada de que a munição que matou a estudante Maria Eduarda Alves Ferreira, dentro da Escola Municipal Daniel Piza, semana passada, na Pavuna, zona norte do Rio de Janeiro, partiu do fuzil FAL 7,62 usado pelo cabo Fabio Dias. Fragmentos de um projétil arrecadado na perna da adolescente tornaram possível o confronto balístico, que bateu com a arma do cabo.
O policial militar é o mesmo que aparece em uma filmagem feita por um morador dando dois tiros num dos criminosos caídos após um confronto no Morro da Pedreira. Seu histórico registra ao menos 26 autos de resistência – quando um policial assassina um suspeito e alega legítima defesa –, sendo que onze deles são investigados pelo Ministério Público. Além do cabo, o sargento David Centeno, também lotado no 41oBPM (Irajá), estão presos no Batalhão Especial Prisional (BEP).
A perícia de local realizada após o crime indica que alguns tiros disparados contra os dois traficantes à longa distância atingiram também as grades da escola. Uma foto feita pelos peritos mostra onze marcas de tiros no muro da escola onde Maria Eduarda estava.
O caso
Maria Eduarda, de treze anos, faleceu após ser atingida por uma bala perdida na última quinta-feira. Ela foi velada e sepultada no Cemitério Parque Jardim de Mesquita, na Baixada Fluminense, com a presença do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB).
A estudante, que cursava o 7º ano do Ensino Fundamental, estava participando de uma aula de educação física quando foi atingida pelo disparo. Parentes e amigos acusam a Polícia Militar pelos disparos. No momento ocorria um suposto confronto entre traficantes e policiais, que resultou na prisão de um cabo e um sargento.