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Temer estuda passar recluso o fim de semana do impeachment

Aliados recomendam que vice "mergulhe" para ensaiar discurso e se precaver contra eventuais manifestações pró-Dilma

O vice-presidente da República, Michel Temer, estuda se recolher a partir desta sexta-feira para, cercado dos amigos, familiares e seu núcleo de colaboradores mais próximo, acompanhar a discussão e a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, no fim de semana. Nas palavras de um assessor pessoal, o vice tende a “mergulhar”.

Aliados de Temer chegaram a sugerir que ele viaje para o interior de São Paulo – ele é natural de Tietê, a cerca de 150 quilômetros da capital – e assim evite aglomerações na frente de sua casa no Alto de Pinheiros, na capital paulista. Dessa maneira, teria calma para ensaiar um discurso de “unificação nacional” com especialistas em comunicação e ao mesmo tempo se preservar – e preservar a mulher Marcela Temer e o filho – de eventuais manifestações a favor de Dilma, que o acusa de “chefe golpista” e “conspirador”. Mas há também aliados que querem Temer em Brasília – ou que pelo menos retorne à capital no domingo – para “monitorar” de perto os parlamentares.

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Temer ainda não definiu sua agenda. Ele voaria para São Paulo na tarde desta quinta-feira, mas acabou ficando por causa da romaria de políticos ao Palácio do Jaburu, residência oficial em Brasília – mais de 170 visitantes, segundo relatos. Também nesta quinta, o vice monitorou a reunião na qual a bancada do PMDB decidiu encaminhar o voto pró-impeachment, mas sem punir dissidentes. Só 10% da bancada ainda resiste na trincheira governista.

A previsão agora é de que Temer chegue a São Paulo nesta sexta à noite. Ao longo do fim de semana, ele vai se preparar e ensaiar sua, afinando os temas e escolhendo cuidadosamente as palavras que pretende usar. Cogita-se que ele se se pronuncie oficialmente logo após o impeachment, mas falta definir o formato: coletiva de imprensa ou comunicado, em áudio e vídeo – ao longo da semana, veio a o público uma gravação de Temer, planejado para o pós-impeachment, em que ele prega um ‘governo de salvação nacional’. Consultores de comunicação defendem que Temer, sempre formal, se coloque de maneira clara ao mercado e ao mundo político e envie recados aos trabalhadores e à chamada classe C. Há também quem defenda que ele dê garantia expressa à continuidade da Operação Lava Jato livre de interferências.

O núcleo mais próximo de Temer acha que ele deve envolver o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na sucessão do governo Dilma. Ele é visto como a última trincheira da presidente no partido e terá algum controle sobre o processo de julgamento da presidente, uma vez que o impeachment seja autorizado na Câmara. O PMDB quer indicar o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE), como relator do processo. Eunício já se reuniu com Temer, e é visto hoje como alguém afinado ao plano do cacique peemedebista.

Temer também tem sido aconselhado a procurar de imediato pontes com o ex-presidente Lula, com quem mantém boa relação. Seria um antídoto às ameaças do PT de não dar sossego a um governo do PMDB. “Temer precisa mostrar que está ao lado do Senado e dos brasileiros”, disse um consultor. “Tem que dar uma palavra aos movimentos sociais e mostrar que não tem vencedor nem perdedor.”