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Sócio do PCC na fronteira é acusado de ataques no Paraguai

Segundo as investigações, Sergio Quintiliano, o Minotauro, é acusado de matar policial, advogada e candidato a prefeito; ele foi preso no início do mês

As leis da física dizem que a “natureza tem horror ao vácuo”. Ou seja, logo que uma porção de matéria sai de um lugar é preenchida por outra. A tese atribuída a Aristóteles também pode ser aplicada ao mundo do crime organizado. Até 2016, Sergio Quintiliano Neto era só mais um dos tantos capangas do narcotraficante Jorge Rafaat, mais conhecido como o “Rei da Fronteira”. Tinha contra si um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas, mas não chegava a despertar grande atenção das autoridades. Até que em junho daquele ano o seu patrão foi morto em uma emboscada por 16 rajadas de tiro de uma metralhadora .50 em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz limite com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul – a área é uma das mais vulneráveis da fronteira brasileira, por onde entra boa parte das drogas e armas ao país. Com a morte de Rafaat, o “trono” ficava vago e logo começou uma disputa sangrenta para ver quem o ocuparia.

Com a fama de ser “louco e ousado”, Quintiliano galgou posições, eliminou parte de seus inimigos e assumiu a posição de capo da fronteira, segundo investigações da Polícia Civil de Ponta Porã.  Tinha mania de grandeza e gosto pela mitologia grega, o que lhe rendeu os apelidos de Minotauro e Poseidon. Conforme as investigações, ele não fazia parte dos quadros do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas era o maior sócio da facção criminosa na fronteira. 

Em Bauru, no interior de São Paulo, onde começou sua carreira criminosa usava como foto no celular a imagem do célebre traficante Pablo Escobar e desfilava pelas ruas da cidade bordo de um Porshe Panamera, conforme apurações da Polícia Civil de Bauru. Na cidade, era dono de postos de combustível e lava rápidos por onde, os investigadores suspeitam, lavava o dinheiro do tráfico. “Mas Bauru ficou pequeno para ele”, comentou o delegado Cledson Nascimento, titular da Delegacia de Investigações Gerais de Bauru.

Diferente de Rafaat, que preferia cobrar taxas dos desafetos a eliminá-los, Minotauro é suspeito de ter promovido uma série de atentados na região fronteiriça, segundo os investigadores. Entre eles, um ataque com explosivos a casas e lojas na pequena cidade paraguaia de Ypehú; o homicídio de um candidato a prefeito de Ponta Porã que teve a casa metralhada por uma legião de 60 mercenários; e a execução de uma advogada com mais de dez tiros – as duas últimas vítimas eram ligadas ao traficante Jarvis Pavão, que é acusado de ser o mentor do atentado contra Rafaat e que foi extraditado do Paraguai ao Brasil no fim de 2017. Pavão era considerado um dos maiores inimigos de Minotauro. A ofensiva à cidade paraguaia, que faz divisa com Paranhos, no Mato Grosso do Sul, ocorreu em dezembro do ano passado e provocou repercussão no país vizinho. Na ocasião, o vice-ministro da Segurança Interior do Paraguai, Hugo Sosa Pasmor, afirmou que a ação consistia em um “enfrentamento de grupos criminosos do Brasil”.

Mas foi a execução do policial civil Wescley Dias Vasconcelos, com trinta tiros de fuzil, quando ele chegava em casa, ocorrida em março de 2018, que transformou a nova liderança da fronteira no inimigo público número 1 das autoridades – Vasconcelos havia descoberto o nome falso usado por Minotauro e a sua importância na hierarquia do tráfico fronteiriço. A polícia apertou o cerco e, no fim do ano passado, ele fugiu da região. Apareceu no dia 4 de fevereiro  num apartamento de luxo à beira mar em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, quando foi preso pela Polícia Federal. Na ocasião, ele carregava 6 celulares e 100 mil dólares em dinheiro. A polícia acredita que ele estava intermediando o envio de cocaína para a Europa pelo porto de Itajaí. Assim como o chefão do PCC, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, ele foi mandado para um presídio federal.