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Rio em Brumadinho está contaminado com metais pesados; lama correu 100 km

Águas do Rio Paraopeba, que corta a cidade mineira, apresentam riscos à saúde humana e animal; lama desce a uma velocidade de 1km/h

Por Da Redação - Atualizado em 31 Jan 2019, 05h20 - Publicado em 30 Jan 2019, 23h42

As águas do Rio Paraopeba, que corta Brumadinho, apresentam riscos à saúde humana e animal. É o que aponta um comunicado conjunto das Secretarias de Estado de Saúde, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais divulgado na noite desta quarta-feira, 30.

O texto adverte que qualquer pessoa que tenha tido contato, ingerido ou consumido alimentos preparados com a água que apresentarem náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tontura ou outros sintomas deve procurar a unidade de saúde mais próxima. O rio foi atingido pelo rompimento da Barragem Mina do Feijão

As análises foram feitas com mostras coletadas entre os dias 25 (quando o acidente ocorreu) e 29. Foram encontrados valores até 21 vezes acima do aceitável de chumbo total e mercúrio total. Também foi constatada a presença de níquel, chumbo, cádmio, zinco no dia 26 em um dos pontos de monitoramento.

Diante dessa situação, o governo de Minas Gerais desaconselha o uso da água para qualquer finalidade até que a situação esteja normalizada. A recomendação vale desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão até Pará de Minas. Deve ser respeitada uma área de cem metros das margens acometidas.

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Lama de barragem já percorreu 100 km

Um levantamento realizado pela consultoria Ramboll indica que a lama da barragem da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), já percorreu cerca de 100 quilômetros até a quarta-feira 30. Pelos cálculos da consultoria, a lama está descendo a uma velocidade de 1 quilômetro por hora, mais lentamente do que no vazamento de Mariana (MG), ocorrido em 2015.

Com base em informações de dezenas de nanosatélites, a equipe de geosoluções da consultoria estima que a lama deverá alcançar o reservatório da refinaria de Três Marias, que fica a 340 quilômetros do local do acidente. Isso significa, necessariamente, que a lama deve ultrapassar a barreira do reservatório de Retiro Baixo.

Diferentemente de Mariana, a lama de Brumadinho desce mais lentamente porque ela está mais densa. No primeiro episódio, uma segunda barragem – de água – também se rompeu, fazendo com que a lama se diluísse e ampliasse a área atingida.

(Com Estadão Conteúdo)

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