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Reitor e vice da UFMG são levados para depor pela PF

Jaime Ramirez e Sandra Almeida são suspeitos em investigação que apura desvio de verba para uma exposição sobre anistia na universidade

Por Da Redação
6 dez 2017, 18h06 • Atualizado em 4 jun 2024, 17h32
  • O reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jaime Arturo Ramirez, e sua vice, Sandra Regina Goulart Almeida, foram conduzidos coercitivamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira. Batizada de Operação Esperança Equilibrista, a ação foi deflagrada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU) e mira suspeita de desvio de recursos da UFMG destinados à implantação de uma exposição batizada de Memorial da Anistia Política do Brasil.

    Segundo a Justiça, “há indícios de que o atual reitor, Jaime Arturo Ramirez, e a vice-reitora, Sandra Regina, tenham autorizado a exposição cientes de irregularidades”. A vice-reitora já está eleita e, em março, assumirá o lugar de Ramirez à frente da universidade. A decisão é da juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da Justiça Federal em Belo Horizonte.

    Alegando que o processo corre em sigilo de justiça, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) se negaram a responder se os docentes foram intimados previamente a depor, sendo o não comparecimento uma das justificativas para que um investigado seja conduzido coercitivamente. A investigação contra outro reitor de instituição federal ocorre dois meses depois do dramático caso do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que se suicidou pouco após ser preso e afastado do cargo, colocando sob questionamento a atuação dos policiais e delegados do caso.

    Em nota, a CGU informou que foram apurados na UFMG, até o momento, desvios de mais de 3,8 milhões de reais recursos vinculados ao projeto do memorial. Além disso, na execução e na prestação de contas da iniciativa, foram verificadas irregularidades como falsificação de documentos, pagamento de estágio a pessoas sem vínculo estudantil, desvio de valores para outras contas estranhas ao projeto, além de gastos não relacionados ao objeto da obra.

    O projeto inicial do museu passou de 5 milhões de reais para cerca de 30 milhões de reais, sendo que o valor gasto até o momento já é de quase 20 milhões de reais. A obra envolve construção, reforma de edifícios e produção de conteúdo da exposição, com vistas à preservação e difusão da memória política dos períodos de repressão.

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    Mais de 100 policiais federais e auditores da CGU e do TCU cumpriram onze mandados de busca e apreensão e nove mandados de condução coercitiva. Há indícios dos crimes de peculato, falsidade ideológica e associação criminosa.

    (Com Estadão Conteúdo)

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