‘Rainha do Sul’: Justiça da BA torna ré advogada acusada de ajudar a facção Bonde do Maluco
Em grupo do WhatsApp chamado 'Sesc Senac', ela passava recados de dentro da cadeia para integrantes do bando, aponta investigação
O juiz Waldir Viana Ribeiro Junior, da Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa de Salvador, tornou a advogada Poliane França Gomes, conhecida como “Rainha do Sul” ou “RS Adv”, ré por suposta prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. A ação envolve outros treze denunciados acusados de pertencerem ao grupo criminoso Bonde do Maluco, com atuação na Bahia e aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com denúncia oferecida pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), a advogada “exercia papel central na estrutura do grupo criminoso, atuando como elo de comunicação entre a liderança da organização e os demais integrantes em liberdade. Ela estaria usando da sua posição de advogada para transmitir ordens da liderança criminosa presa em Serrinha, ameaças e orientações estratégicas da facção, além de intermediar cobranças financeiras e auxiliar na administração de recursos provenientes do tráfico de drogas”.
Ainda segundo o Gaeco baiano, “o grupo utilizava aplicativos de mensagens para coordenar atividades ilícitas, arrecadar valores periódicos conhecidos como ‘caixinha’ e controlar o fluxo financeiro da organização. As investigações apontam ainda que a ré utilizava pessoas interpostas para lavagem de capitais e realizava a colocação do dinheiro ilícito em joias de alto valor, que foram apreendidas com ela”. A advogada está presa desde novembro do ano passado ao ser alvo da Operação Rainha do Sul.
Ao tornar a advogada ré, o magistrado Ribeiro Junior afirma que “nos referidos grupos (de WhatsApp), identificaram-se diálogos minuciosos acerca da dinâmica das atividades ilícitas, abrangendo a comunicação entre os diversos níveis hierárquicos da organização criminosa, o planejamento das ações delitivas e a prestação de contas entre os seus integrantes”.
O grupo de WhatsApp chamado “Sesc Senac” era administrado, segundo os autos, por Gabriel de Souza Fernandes, conhecido como “Tonelada”, apontado como braço direito de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como “Shantaram”, “Leandro Gringo”, “Leandro Argentino” e “Querido”, que seria o líder do bando. “Ademais, constata-se a participação da Rainha do Sul, a qual, por meio de visitas ao acusado na unidade prisional, teria repassado as ordens e comandos, posteriormente divulgados no referido grupo de WhatsApp. As supostas autorias e participações de cada agente restam suficientemente individualizadas nos autos, a partir do papel desempenhado por cada um no esquema criminoso”, cita o juiz. A defesa da advogada nega os crimes e apresentará defesa nos autos em breve. VEJA não encontrou as defesas de Shantaram e Tonelada para manifestação. O espaço está aberto.
Nas trocas de mensagens, segundo as investigações, o grupo criminoso negociou armamentos para aumentar o poder bélico da organização. Havia ainda integrantes responsáveis pela contabilidade do Bonde do Maluco e também tentativas de ocultação de dinheiro lavado por meio do tráfico de drogas.





